Premium Marisco: pode comer-se sem preocupações?

Camarão, sapateira, amêijoa, conquilha, ostras. O verão é tempo de petisco e os portugueses são especiais apreciadores de marisco. Mas será este um gosto saudável?

O marisco deve ser incluído frequentemente na sua lista de compras? Há proteínas nestas espécies que não encontra noutros alimentos? É saudável introduzir o marisco na dieta do dia-a-dia? Estas são questões frequentes e nem sempre a resposta é unânime.

A especialista em nutrição Paula Ravasco falou com a DN Life sobre os malefícios e os benefícios destes produtos do mar, que considera "excelentes equivalentes alimentares". "São ricos em vitamina D, ómega 3 e são uma excelente fonte proteica", esclarece, acrescentando que devem ser ingeridos nas mesmas quantidades que se recomenda para a carne ou o peixe: "Cem gramas."

Para a especialista, é difícil ultrapassar as quantidades recomendadas, uma vez que além da casca, "tanto a amêijoa, como o mexilhão ou o berbigão são trabalhosos e leves, uma vez que têm muita água", tornando-os ótimos alimentos para uma refeição casual.

Subtítulo: o perigo está nas más companhias

No entanto, alerta Paula Ravasco, os acompanhamentos - como o pão e os molhos - que normalmente estão associados a estes pratos tornam a refeição «menos saudável e mais desequilibrada».

"Se comermos muito pão, hidratos, molhos com gorduras saturas, é claro que vamos estragar o equilíbrio da refeição. Mas com outro tipo de acompanhamentos, como saladas ou legumes, é uma comida bastante leve e adequada", diz.

Parecer semelhante ao da nutricionista Patrícia Almeida Nunes, que considera que o marisco é, "em geral, uma fonte de proteína de alto valor biológico, que pode constituir uma boa alternativa ao consumo de carne, peixe e ovos".

A coordenadora do serviço de dietética e nutrição do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, diz, em resposta à quantidade de marisco que deve ser ingerida, que a palavra-chave é "moderação".

"Sabemos que consumimos, em geral, proteína em excesso, especialmente proveniente de carne, aves, peixe, ovos e lácteos. Na prática, podemos consumir muito marisco numa refeição, desde que a frequência destes consumos não seja regular", diz a especialista.

Uma das principais dicas, para não sentir que deitou por água abaixo a sua dieta e garantir uma refeição equilibrada, está na forma como consome o marisco. "Devem ter pouca gordura e gordura saudável - como o azeite - e, preferencialmente, as confeções devem ser feitas a vapor ou cozidas", esclarece.

Almeida Nunes não esconde que o consumo de marisco, "em particular os crustáceos (lagostas, camarões ou percebes)", pode "ser considerado uma fonte de colesterol". No entanto, a especialista lembra que a "sua restrição, a fim de promover a diminuição do colesterol total, depende de muitos fatores, em que os restantes hábitos alimentares e a atividade física têm um papel muito importante".

Subtítulo: o marisco e as crianças

Paula Ravasco, autora de mais de 60 artigos científicos de investigação, lembra ainda que o marisco deve ser dos últimos alimentos a ser introduzidos na alimentação dos bebés. "Tem níveis alérgicos bastante elevados e pode também preocupar devido às infestações. É um grande risco porque são animais que comemos na totalidade e tudo aquilo a que foram expostos vai ser ingerido", alerta.

Por estas razões, a professora da Faculdade de Medicina de Lisboa considera que o marisco nunca deve ser introduzido na alimentação de uma criança antes de esta atingir 1 ano. "O peixe e os ovos, por exemplo, também só devem ser introduzidos aos 8/9 meses."

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