O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou ontem que o G7 - grupo dos países mais ricos do mundo - vai reunir-se amanhã de urgência, por meios virtuais, para debater a situação no Afeganistão, onde o caos continua a marcar as tentativas de retirada de pessoal no aeroporto internacional de Cabul, com os talibãs a culparem as forças norte-americanas.."É vital que a comunidade internacional trabalhe junta para conseguir retiradas seguras, prevenir uma crise humanitária e apoiar o povo afegão para garantir o que foi alcançado nos últimos 20 anos", afirmou Boris Johnson num anúncio feito através da sua conta na rede social Twitter..Mais tarde, a Casa Branca, através da secretária de imprensa, Jen Psaki, confirmou a reunião e anunciou que o Presidente norte-americano, Joe Biden, vai participar nesse encontro virtual com os outros líderes do Grupo dos Sete, que inclui ainda Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão, além de Reino Unido e Estados Unidos.."Os líderes discutirão a continuidade de nossa coordenação estreita na política para o Afeganistão e a retirada dos nossos cidadãos, dos bravos afegãos que estiveram conosco nas últimas duas décadas e de outros afegãos vulneráveis", acrescentou Jen Psaki em comunicado . "Os líderes também discutirão planos para fornecer assistência humanitária e apoio aos refugiados afegãos.".A decisão do G7 chegou num dia em que se intensificou o caos junto ao aeroporto internacional de Cabul, com o Ministério da Defesa britânico a informar ontem que sete civis afegãos morreram devido à situação difícil de controlar, com milhares de pessoas a tentarem chegar àquele terminal à procura de um lugar num avião que as possa retirar de Cabul..Também ontem o Pentágono ordenou o recurso urgente a 18 aviões comerciais dos Estados Unidos da América para o transporte de afegãos retirados de Cabul, depois de a França ter solicitado aos EUA que permitam e facilitem a retirada dos cidadãos dos países aliados e de todos os afegãos cujas vidas corram perigo em Cabul, prolongando a operação no aeroporto (prevista até 31 de agosto), com maior coordenação..Talibãs culpam americanos.Entretanto, os talibãs responsabilizaram as forças americanas pelo caos no aeroporto. Desde que entraram em Cabul, no domingo passado (dia 15), os talibãs deixaram o aeroporto nas mãos dos Estados Unidos, a quem agora acusam de "fracassarem" na missão de "impor ordem" na operação de retirada. "Reina a paz e a ordem em todo o país, mas há caos somente no aeroporto de Cabul", disse Amir Khan Mutaqi, um dirigente talibã, acrescentando que "isso deve acabar o mais rápido possível"..Do lado norte-americano, o assessor de Joe Biden para a Segurança Nacional alertou que a ameaça de um ataque terrorista do Estado Islâmico no aeroporto de Cabul "é real e persistente. Os nossos comandantes no terreno têm ao seu dispor várias opções, que estão a utilizar, para defender o aeroporto de um potencial ataque terrorista. Estamos a trabalhar arduamente para poder isolar e determinar de onde poderá surgir um ataque", disse Jake Sullivan.