A diretora do CRI Dermato-venereologia, que funciona dentro do Hospital dos Capuchos, acredita que a resposta da unidade melhorou, continuando a desenvolver ainda mais a sua atividade. "Temos tentado sempre, apesar das várias dificuldades no SNS, melhorar o nosso trabalho. Tem havido um esforço multidisciplinar permanente de todas as equipas, uma excelente boa vontade de todos, para conseguirmos introduzir algumas novidades, como a criação de uma unidade de dermatologia oncológica, com uma consulta multidisciplinar para avaliação dos doentes ou a criação de uma consulta multidisciplinar de dermite atópica, uma doença importante que causa grande morbilidade e que tem vindo a crescer imenso". Por outro lado, refere ainda Maria João Paiva Lopes, "já tínhamos uma consulta multidisciplinar para dermatologia pediátrica, mas esta tem vindo a ser ampliada"..Mas uma das consultas com maior crescimento nos últimos anos é a das Doenças Sexualmente Transmissíveis. "Tem crescido, em termos de produção, na ordem dos 20%. É uma consulta que tem cada vez mais afluência e onde se tem feito um trabalho notável. A equipa multidisciplinar tem dado uma resposta muitíssimo bem organizada e isso viu-se na crise do Monkeypox, foi aqui foram diagnosticados os primeiros casos e foi aqui que se viram mais doentes", sublinha a diretora do CRI..A consulta das DST é coordenada pela médica dermatologista Cândida Fernandes e é das que tem "uma importância enorme em termos de Saúde Pública, colocando também um grande desafio ao serviço", Maria João Paiva Lopes, desde logo porque tem uma consulta aberta para observar doentes. Este CRI realizou no ano passado cerca de 30 mil consultas, mantendo uma consulta de urgência, "não estamos presentes em contínuo nos serviços de urgência geral, porque isso também não seria um ótimo ato de gestão, mas temos uma consulta de urgência para dermatologia, e para onde os doentes são encaminhados e vistos no próprio dia ou no seguinte". Nos dias de hoje, e tendo em conta as alterações ambientais e climatéricas, Maria João Paiva Lopes alerta para o facto de haver um aumento na incidência de situações de dermite atópica nos países desenvolvidos e no aumento significativo da incidência do cancro cutâneo. E defende: "A população tem de estar atenta a estas situações e tem de fazer alguma coisa quando as deteta, porque o que vemos muito é que as pessoas até estão atentas, mas depois ficam paralisadas e não reagem em conformidade. Não vão ao médico e isso é perigoso"..anamafaldainacio@dn.pt