Calçado quer exportar 150 milhões para os EUA em cinco anos

Entre 2010 e 2016, as exportações nacionais de calçado para os EUA cresceram 537%, passando de 12 milhões para 76,6 milhões de euros.

O mercado americano é a "prioridade estratégica" para a indústria de calçado na próxima década. O objetivo é duplicar as exportações, com ou sem acordo de livre comércio entre a União Europeia e os EUA. "Naturalmente que teríamos mais vantagens se o acordo tivesse sido concretizado, mas não nos deixamos condicionar por questões do foro conjuntural. A nossa aposta é de médio prazo, ambicionamos um crescimento sustentado", garante Luís Onofre, presidente da associação do setor, a APICCAPS.

Entre 2010 e 2016, as exportações nacionais de calçado para os EUA cresceram 537%, passando de 12 milhões para 76,6 milhões de euros.
O valor mais elevado de sempre, correspondente a 2,2 milhões de pares de sapatos exportados. Mas, em 2017, o mercado caiu 5,9% e, este ano, entre janeiro e maio, a quebra é de 17,4%. Números que não desmotivam os empresários. "A quebra é, infelizmente, extensiva à economia portuguesa em geral, mas o facto de, em poucos anos, multiplicarmos por seis as nossas vendas nos EUA mostra que o potencial de mercado existe. O último ano e meio, por via das flutuações cambiais, tem sido prejudicial e, por isso mesmo, estamos a fazer um grande investimento no mercado precisamente para não estarmos dependentes dessas flutuações", argumenta Luís Onofre.

A indústria portuguesa do calçado apresenta-se ao mercado nova-iorquino, na MRKT e na Project, certames de moda masculina e feminina, respetivamente, que decorrem de 22 a 24 de julho no Jacob Javits Center. São 18 empresas, responsáveis por 21 marcas, que estarão no espaço coletivo Portugal procurando, em 100 metros quadrados, "mostrar a excelência da oferta nacional". Carlos Santos, Felmini, Lemon Jelly, Tatuaggi e Fly London são algumas das marcas representadas, sendo que a Fly tem uma loja própria em Nova Iorque desde 2014.

Em simultâneo, a 23 de julho, o calçado associa-se ao vestuário e à ourivesaria para promover a moda portuguesa num hotel nova-iorquino. São 30 as marcas representadas, numa iniciativa enriquecida com a gastronomia e a música portuguesa, a cargo dos Best Youth.

Esta é uma investida que está a ser preparada há meses. Além de três viagens de prospeção ao mercado e da organização, em março, de uma conferência no Porto com especialistas, designada de 'Road to America', a APICCAPS trouxe a Portugal 11 importadores americanos, em maio, para visitarem algumas das principais empresas. Agora é a vez dos empresários nacionais visitarem lojas de referência e reunirem com cadeias de retalho e distribuidores.

As ações de promoção não se ficam por Nova Iorque. Estender-se-ão a Las Vegas, onde, já em agosto, 19 empresas portuguesas darão a conhecer os seus produtos na Platfform, e, mais tarde, a cidades como Boston, Chicago e São Francisco, entre outras. O evento de Nova Iorque surge, precisamente, como preparação para a presença em Las Vegas. "Entendemos que antes de nos estrearmos com uma delegação tão forte em Las Vegas - passamos de três empresas em fevereiro para 19 em agosto - deveríamos fazer uma apresentação global no mercado. Estaremos com dois parceiros que nos dizem muito, o vestuário e as joias, e estamos certos de que juntos teremos mais possibilidades de triunfar", explica Luís Onofre. "Era imperioso desenvolvermos uma qualquer grande ação na grande Nova Iorque que completasse os investimentos previstos para Las Vegas. Nestas duas cidades realizam-se os grandes certames profissionais de calçado e moda nos EUA. São cidades muito distintas, mas com um potencial muito elevado para o calçado português."

Com um investimento que não chega a um milhão de euros, em todo o ano de 2018, esta ação promocional pretende ajudar a mudar a perspetiva americana sobre Portugal. "Ainda que Portugal já exporte mais de 70 milhões de euros de calçado para os EUA, a maioria dos consumidores têm ainda uma imagem de uma país exclusivamente produtor e não de uma indústria que alia a tradição aos fatores imateriais da competitividade, em especial a qualidade e o design, e que tem uma capacidade de resposta muito boa, fruto de grandes investimentos em matéria de I&D".

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