Asaúde mental dos portugueses tem vindo a deteriorar-se, especialmente no pós-pandemia provocada pela covid-19, com as crianças e adolescentes a serem dos mais queixosos. Por isso, este ano, as operadoras telefónicas decidiram apostar neste tema nos seus anúncios de Natal, incentivando os portugueses a procurarem ajuda.."A saúde mental dos portugueses já "estava doente" pré-pandemia e agravou-se com o isolamento: os fatores socioeconómicos, a mudança de padrão laboral (teletrabalho), o convívio familiar "forçado" devido aos confinamentos e, por fim, o medo de uma doença desconhecida", explica ao DN Patrícia Dâmaso, psicóloga no Hospital da Luz..Portugal tem os níveis mais elevados de depressão nos adultos e tem-se verificado um aumento significativo das queixas em crianças e adolescentes. A psicóloga considera que existe um menor estigma com a procura de consultas de psicologia para crianças do que para adultos. Segundo Patrícia Dâmaso, ainda não existem recursos para fazer face a uma intervenção sistémica (escolas, comunidade, centros de saúde e hospitais) para minorar os impactos causados pela pandemia..A iniciativa das operadoras de abordarem a saúde mental é vista como uma forma de ajudar a desmistificar a saúde mental e diminuir preconceitos quanto a este tema. Há ainda um longo caminho a percorrer pela sociedade portuguesa para que a saúde mental seja tão prioritária quanto a saúde física. "A sociedade portuguesa viveu uma ditadura durante muitos anos e tem ainda uma herança pesada no modo como a sociedade se organiza social e culturalmente. As escolas não têm como prioridade a definição de políticas de saúde mental. Depois temos poucos recursos hospitalares e acaba por beneficiar de ajuda quem a pode suportar financeiramente", afirma Patrícia Dâmaso..A psicóloga frisa que mesmo quando as crianças escrevem cartas ao Pai Natal reforçam a ideia de que se portaram bem e pedem para a família ser feliz. "É um discurso que contém os padrões da sociedade que temos, que híper valoriza o comportamento, mas que tem crianças ávidas de procurar felicidade. E ser feliz e saber procurar ajuda quando se está mais triste é sinónimo de saúde mental", conclui Patrícia Dâmaso..Para a Vodafone Portugal fazia todo o sentido abordar um tema como a saúde mental este Natal. "Temos tido a preocupação nos últimos anos de abordar temas socialmente difíceis, mas que nós achamos que convidam à reflexão da sociedade", afirma Leonor Dias, diretora de marca da Vodafone Portugal. O facto de um segmento etário cada vez mais jovem enfrentar problemas de saúde mental cada com maior gravidade, especialmente no pós-pandemia, motivou ainda mais a escolha deste tema..No anúncio da operadora, um jovem sai de casa no dia de Natal totalmente desorientado e sem conseguir gerir o problema de saúde mental com que vive. Junto a um lago ouve um segundo telemóvel a tocar e atende. A rapariga do outro lado está à procura desse telemóvel e quando percebe que o rapaz está desorientado, sugere que conversem durante o caminho até se encontrarem. Depois de agradecer a companhia, o rapaz chega a casa e decide falar com os pais sobre o que se passa consigo.."Normalmente o Natal é um ótimo período para pensarmos no próximo, mas este ano era o momento de pensarmos em nós e pensar um bocadinho se estamos bem, e se não estivermos a pedir ajuda", explica Leonor Dias..A diretora de marca da Vodafone Portugal considera que este é ainda um tema que precisa de ser desmistificado na sociedade portuguesa e elogia a capacidade dos mais jovens de falarem sobre aquilo que estão a sentir com os pais, amigos ou outras pessoas importantes na sua vida..A Vodafone inclusive tem programas para apoiar os seus funcionários, incluindo um programa digital que permite consultas gratuitas com especialistas na área da saúde mental. "Esta acaba por ser uma mensagem para dentro de que as pessoas têm espaço para dar o primeiro passo", diz..Este ano, a NOS criou um carrossel para representar a vida de um rapaz e como a solidão começa a afetar a sua vida. Desde o momento em que era pequeno e tinha o apoio dos seus pais, até conhecer uma rapariga, se casar com ela e conseguir um emprego. No entanto, a vida interpõe-se, começa a ficar no trabalho até cada vez mais tarde e a afastar-se da esposa, a separação acontece e a solidão também. No final recebe uma mensagem da mãe a dizer que estão ali para ele, reforçando a ideia de que "às vezes basta uma mensagem para alguém dar a volta"..A NOS entende que a solidão é uma epidemia silenciosa que só pode ser combatida se tivermos o apoio daqueles à nossa volta. "Ao contrário de outras temáticas de resolução mais complexa, nesta, todos podem ter um papel. A melhor maneira de combater a solidão, é dar atenção. Cada um de nós tem um círculo de relações e, nesse círculo, agir pode fazer toda a diferença. Nesta campanha de Natal, a NOS procurou inspirar um comportamento coletivo de maior ligação", afirma Rita Torres Baptista, diretora de Marca e Comunicação NOS..Para reforçar a sua missão no combate à solidão, a empresa reforçou os seus pacotes de dados, SMS e chamadas, de forma a diminuir a solidão de todos aqueles que sentem que não conseguem dar a volta..Internamente, a NOS faz a sua parte neste combate ao incentivar o trabalho em equipa e a inclusão. "Acreditamos que as coisas se fazem colaborativamente, promovemos uma cultura de trabalho muito horizontal", diz..Já a MEO decidiu dar o palco aos Direitos Humanos, especialmente à liberdade de pensamento e de opinião e expressão, com o objetivo de relembrar as bases fundamentais da existência e convivência humana. "Vivemos numa sociedade que se rege por conflitos, potenciada pela utilização das redes sociais que ajudam a reforçar as opiniões e as divergências. Aos dias de hoje, ser diferente não é fácil e exige coragem", diz Luíza Galindo, diretora de Marketing de Comunicação da MEO..Neste anúncio, um rapaz acredita que o Pai Natal existe e uma rapariga contesta essa opinião. Cada um começa a fazer campanha por aquilo em que acredita e a ganhar apoiantes. De repente este torna-se um movimento internacional com pessoas a comentar se o Pai Natal existe ou não. O anúncio termina com o espectador a perceber que o rapaz e a rapariga são irmãos e que é possível viver com as diferenças..A emergência da inclusão como Direito Humano básico nos últimos anos motivou a MEO a abordar este tema. "A mensagem é clara: a empatia e a tolerância podem ser a solução para todos vivermos num mundo melhor. Queremos continuar a ditar tendências e a fazer parte da solução dos problemas que existem na nossa sociedade", afirma Luíza Galindo..sara.a.santos@dn.pt