Premium "Mais quatro anos de Trump podem ser fatais para a ordem constitucional americana"

Colunista do DN e comentador na RTP e Antena1, investigador no Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, Bernardo Pires de Lima aproveitou o confinamento para escrever um ensaio em tom otimista contra a ameaça do autoritarismo.

Nas livrarias desde ontem, Portugal na Era dos Homens Fortes: Democracia e Autoritarismo em Tempos de Covid seria lançado na terça-feira com apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa, mas a cerimónia foi anulada para evitar ajuntamentos. Bernardo Pires de Lima e o Presidente encontram-se com alguma regularidade: o primeiro fundou o Grupo de Reflexão sobre o Futuro de Portugal para discutir com o segundo os desafios do nosso país. É nesse espírito pragmático e desprovido de fatalismo que no livro articula o posicionamento de Portugal face ao mundo. Para contrariar a ascensão do trumpismo.

No livro há um reiterado apelo à defesa dos valores da democracia liberal. Mas do outro lado da barricada o apelo ao irracional, às teorias da conspiração, ao medo e ao ódio, têm mais apelo. O que fazer?
Não se pode responder na mesma moeda fingindo ter o mesmo perfil à força. É preciso um misto entre razão e coração. Acho que há espaço político e social para que as pessoas se encontrem num determinado discurso mobilizador aspiracional que não seja destrutivo da ordem social. Sendo sério não tem de ser cinzento. A prova de que é possível fazer isso é que os parlamentos no quadro da União Europeia [UE] têm 70% a 80% dos deputados afetos aos partidos tradicionais. As forças mais extremadas continuam a ser nichos de mercado eleitoral e de representatividade. Quer dizer que a receita histriónica, negativa e nativista não é necessariamente aquela que vinga. Com o declínio dos media tradicionais e a ascensão de outras plataformas, têm um eco que torna tudo o que é ruído em discurso normalizado. Quem está do lado certo da história ou vai a jogo no mesmo ringue e perde, ou tenta mudar o perfil, ou tenta recuperar os canais tradicionais e corrigir o mais depressa possível os anátemas em que os partidos mergulharam.

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