Rússia rejeita desbloquear portos e EUA e G7 enviam mais dinheiro à Ucrânia

Exportação de cereais prejudicada. Washington acusa Moscovo de "usar a fome dos civis para tentar avançar os seus objetivos".

Susana Salvador
Biden com o presidente finlandês e a primeira-ministra sueca na Casa Branca, dando o seu apoio à adesão dos dois países à NATO.© EPA/OLIVER CONTRERAS / POOL

O governo russo disse esta quinta-feira que só irá permitir o acesso aos portos ucranianos no Mar Negro se houver uma revisão das sanções internacionais contra a Rússia, um dia depois do apelo por parte das Nações Unidas para permitir a saída dos cereais que estão armazenados na Ucrânia - que produz 12% do trigo, 15% do milho e metade do óleo de girassol do planeta. As exportações têm sido feitas apenas via comboio ou através dos portos do rio Danúbio, com os EUA a acusarem a Rússia de transformar a segurança alimentar numa guerra.

Diante da ameaça de falta de alimentos, o responsável pelo Programa Alimentar Mundial pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para que desbloqueie os portos. "Tem que apelar não apenas para a Federação Russa, mas também analisar profundamente todo o complexo de razões que causaram a atual crise alimentar", disse o número dois da diplomacia russa, Andrei Rudenko, segundo a agência de notícias Interfax. "Em primeiro lugar, há sanções impostas contra a Rússia pelos EUA e União Europeia que interferem com o comércio livre normal", acrescentou. O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, acusou Moscovo de "usar a fome dos civis para tentar avançar nos seus objetivos".

Entretanto, o Senado norte-americano aprovou um pacote de 40 mil milhões de dólares para a Ucrânia, que inclui ajuda humanitária, mas também para melhorar o sistema de defesa e para a "continuidade do governo". O Congresso já tinha aprovado um pacote de 14 mil milhões de dólares há dois meses. Também os ministros das Finanças do G7 concordaram em fornecer 18,4 mil milhões de dólares para ajudar a Ucrânia a pagar as suas contas nos próximos meses, mostrando disponibilidade para continuar a ajudar Kiev na sua luta contra a Rússia.

No terreno, os militares ucranianos que estiveram durante semanas a resistir na fábrica de Azovstal, em Mariupol, continuam a entregar-se. No total, 1730 já estão nas mãos dos russos, com Kiev a esperar poder trocá-los por prisioneiros russos. Contudo, os separatistas pró-russos de Donetsk insistem que alguns devem ser julgados. Também na Ucrânia já começaram os primeiros julgamentos por crimes de guerra.

Biden apoia alargamento

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse ontem que a Suécia e a Finlândia cumprem todos os requisitos para aderir à NATO, defendendo que estes dois países vão fortalecer a Aliança. As declarações foram proferidas depois de ter recebido na Casa Branca a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, e o presidente finlandês, Sauli Niinisto. Biden ofereceu-lhes o "apoio pleno, total e completo", deixando também claro que Washington "nunca falhará na promessa de defender cada centímetro do território da NATO".

Andersson defendeu que a NATO será mais forte com este alargamento, desejando que o processo de ratificação possa ser rápido - apesar da oposição já expressa da Turquia. "Somos provedores de segurança, com capacidades de defesa sofisticadas além de uma longa tradição de cooperação militar extensa com a NATO", disse. Já Niinisto referiu que o seu país "está disponível para abordar quaisquer preocupações que a Turquia possa ter" em relação à adesão. "Nós condenamos o terrorismo em todas as suas formas e estamos ativamente em combatê-lo", disse Niinisto.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusa os dois países nórdicos de albergarem militantes curdos do PKK, considerado um grupo terrorista. O presidente apelidou Estocolmo de um "paraíso terrorista completo", reiterando que irá dizer "não" à adesão. Esta só poderá ocorrer se houver unanimidade entre os atuais 30 membros da NATO. O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, já disse que as preocupações expressas pela Turquia estão a ser tidas em conta. "Tenho a certeza absoluta que vamos ser capazes de concordar neste tema", disse.

susana.f.salvador@dn.pt