Exclusivo Emma Thompson, my lady

A Balada de Adam Henry, o filme protagonizado pela atriz britânica e dirigido por Richard Eyre, está nas nossas salas a partir desta quinta-feira. Já há algum tempo que não a víamos assim, num tão delicado retrato feminino.

As adaptações cinematográficas são quase sempre obras frágeis em termos de análise. Ou porque se colam muito à letra do romance e não arriscam, ou porque se afastam em demasia e perdem o referente. Enfim, a discussão não será tão linear como se apresenta, mas não interessa desenvolvê-la aqui. Importa, isso sim, começar pelo elogio à justeza deste A Balada de Adam Henry, enquanto objeto proveniente de uma voz literária. Com efeito, o realizador Richard Eyre incumbiu o próprio Ian McEwan, escritor do livro homónimo que está na base do filme (editado em Portugal com a chancela da Gradiva), para escrever o argumento adaptado do seu texto. E o resultado é qualquer coisa de fascinante, não só no sentido de detalhe das personagens, mas sobretudo do ponto de vista da complexidade humana que se encena entre o domínio público e o espaço da intimidade. Estava tudo no papel, e a lente de Eyre soube captá-lo com delicadeza.

O ponto nevrálgico de A Balada de Adam Henry está então na dificuldade de se "ser" alguém alicerçado em convicções, num determinado modo de vida e com uma visão particular, não viciada pela norma social. Precisamente, a protagonista, uma juíza interpretada pela admirável Emma Thompson, sente-se ela mesma perturbada com interrogações que a ultrapassam para lá dos pressupostos da Lei.

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