Premium  Militares portugueses não estão na RCA para "ganhar dinheiro e distribuir chocolates"

Um teatro de operações "volátil e imprevisível", onde só o clima é uma adversidade. As tropas que partem de Portugal são o último reduto num país dominado por grupos armados. O relato e testemunho dos que lá estiveram.

Aconteceu em Alindao. O tenente-coronel Musa Paulino recebeu um e-mail do bispo responsável pela missão católica da cidade, no centro-sul da República Centro-Africana (RCA). Estavam a ser atacados por grupos armados e nas aldeias em volta havia civis a serem assassinados. Pedia ajuda urgente. Quando os militares portugueses chegaram, montaram a barreira de proteção ao redor da igreja, conhecida como a catedral, e, no espaço de 24 horas, o edifício que no início dos confrontos albergava apenas algumas dezenas de pessoas já contava com mais 20 mil civis barricados.

As tropas portuguesas aguentaram a catedral toda a noite, mas Musa Paulino não esquece o homem de 30 anos que lhes chegou com a garganta aberta. Vira a família morrer às mãos das milícias, tinha sido ferido, mas fingira estar morto e conseguira fugir. Os militares pediram ajuda à Cruz Vermelha, mas o tenente-coronel nunca pensou que o homem durasse mais do que aquela noite. Mais tarde, voltou a vê-lo numa reportagem da cadeia de televisão Al-Jazeera. Com o ferimento sarado, olhava a câmara com olhos fixos. Na legenda, contava que tinha sido salvo pelos portugueses. Musa Paulino abana a cabeça, ainda incrédulo: "Juro que não pensei que sobrevivesse."

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