CTT propõe aumentos até 0,4%. CEO recupera 25% do salário

Correios querem descongelar vertente variável da remuneração. Negociações com sindicatos arrancam neste mês.

Os CTT começam este mês a negociar com os sindicatos os aumentos salariais para mais de 12 mil trabalhadores. À proposta de aumentos de 3% a 4% dos sindicatos, os Correios respondem com um valor de 0,3% a 0,4% e o descongelamento da vertente variável do salário. Neste ano, o CEO Francisco Lacerda e os membros executivos e não executivos do conselho de administração veem reposto o corte de 25% e 15%, respetivamente, realizado em 2018 no âmbito do plano de transformação dos CTT.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTC) já fez chegar aos CTT uma proposta de aumentos de 4% (nos ordenados até 1926 brutos) e 3% (nos valores acima desse valor), com aumentos mínimos de 40 euros para salários até 683 euros e de 30 euros em remunerações superiores a esse montante. Já o Sindetelco propõe uma subida de 3% nos salários, diuturnidades e subsídio de refeição, com um aumento mínimo de 30 euros. Os CTT fizeram uma contraproposta: aumento de 0,3% (para salários acima de 1200) e 0,4% (abaixo dos 1200 euros brutos).

Mas não só. "Em 2019, os CTT vão descongelar a vertente variável das remunerações aplicável aos trabalhadores da empresa com desempenho nos termos previstos", adianta fonte oficial dos CTT ao DN/Dinheiro Vivo. "A previsão é de que as negociações arranquem ainda neste mês."

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A empresa não revela qual o peso da vertente variável na remuneração dos trabalhadores, nem comenta sobre se o corte de 25% e 15% do salário fixo do CEO e dos membros do conselho de administração se mantém em 2019. "Os CTT não têm nada a acrescentar ao que já foi anunciado." O que significa que a exceção anunciada para o ano de 2018 não se prolonga, sendo repostos os salários da administração.

No final de 2017, quando foi anunciado o plano de transformação - que, entre outras medidas, previa a saída de 800 trabalhadores e fecho de estações - os CTT anunciaram que fariam um corte "em 2018" nas remunerações fixas da equipa de liderança. A comissão executiva também não iria receber a remuneração variável referente a 2018, nem a 2017.

Com estas medidas, bem como a limitação dos aumentos salariais obrigatórios para os colaboradores, a forte redução da componente variável dos colaboradores referente a 2017, e o corte de cerca de 200 trabalhadores, os CTT pretendiam obter uma poupança anual de 5 a 6 milhões de euros até 2020, prevendo-se que otimização dos recursos humanos gerasse gastos recorrentes de 14 milhões.

No ano passado, os CTT tiveram custos com pessoal na ordem dos 332,9 milhões de euros, menos 2,1% do que em 2017, apesar do impacto de mais 2,6 milhões de euros decorrente da revisão salarial fechada com os sindicatos: aumentos entre 1,1% (para salários acima de 2700 euros brutos) e 1,3% (para salários base até mais de 1270 euros), com um aumento mínimo de 12 euros para todos.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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