Acompanhando dia após dia a emocionante viagem dos astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins a caminho da Lua, a capa da edição do DN de há 50 anos destacava a toda a largura a ideia da corrida espacial entre os Estados Unidos e a, então, União Soviética. "Os homens da Apollo 11 e os robots da Luna 15 espreitam a presa", escrevia o DN a propósito do do "grande duelo espacial"..Aquele era um contexto bem real e, nesse preciso momento, traduzia-se numa renhida competição entre as missões da Apollo 11 e da sonda Luna 15. Ambas tinham por objetivo a Lua. Ambas procuravam chegar em segurança, recolher amostras do solo e trazê-las para a Terra..Para tentar levar dianteira, e apesar de a sua não ser uma missão tripulada, os soviéticos lançaram a sua Luna três dias antes de os astronautas americanos largarem de cabo Canaveral, na Florida. O objetivo era chegar primeiro, recolher as pedras lunares e fazer o voo de regresso antes dos americanos. A corrida estava ao rubro e ao DN não escapou essa faceta do acontecimento, numa altura em que faltavam pouco mais de 24 horas para a Águia alunar..Nesse momento não se podia adivinhar, mas, para os soviéticos, a aventura acabaria pouco depois, ali mesmo, na Lua, quando a sonda se despenhou durante a aterragem desastrada, poucas horas depois da alunagem bem-sucedida dos americanos..Antecipando essa chegada histórica, o DN dedicou também uma parte da capa nesse dia à "ementa dos astronautas no piquenique lunar", explicando que eles comeriam na Lua "caldo de galinha com creme, guisado de carne de vaca, peru com molho, bolos de frutos secos, sumo de uvas e de laranja"..Para "os primeiros repastos de gala na Lua, os chefes da NASA regalarão os seus dois clientes solitários com uma variedade de pratos jamais vista na mesa dum astronauta", escrevia o autor do saboroso artigo, rematando que o repasto teria lugar no módulo lunar, "pois, por falta de atmosfera, não se pode, na superfície da Lua, tirar os capacetes protetores nem, portanto, comer ao ar livre"..Duas fotografias ilustravam ainda a primeira página. Uma mostrava Neil Armstrong sorridente, "a bordo da Apollo 11, a cerca de 300 mil quilómetros de distância da Terra". Na outra, as mulheres dos três astronautas sorriam mais ainda, mas em terra..Nos assuntos domésticos, em rodapé, pontuava uma citação de Marcelo Caetano: "Que o futuro venha confirmar as vivas esperanças agora suscitadas." O então primeiro-ministro português proferira-a ao telefone, ao presidente do Brasil de então, o marechal Costa e Silva, e referia-se, segundo o DN, à comunidade luso-brasileira no Brasil.