Boom do turismo em Portugal cria 25 mil empresas em dez anos

Em 2018, o turismo era responsável por 64 mil empresas, mais 39,4% do que há dez anos antes. São sobretudo microempresas, sediadas na área de Lisboa.

Daniel Oliveira não ficou indiferente ao crescimento do número de turistas a passear pelo Porto. Percebendo que muitos tinham dificuldades em guardar os seus pertences enquanto passeavam, o empreendedor colocou mãos à obra e lançou a Luggage Driver. A startup 100% portuguesa que tem uma solução que permite guardar e transportar as bagagens de turistas nasceu em meados de 2017.

Mas está longe de ser caso único. Entre 2008 e 2018 nasceram em Portugal 25 600 novas empresas ligadas ao turismo. É um aumento de 39,4% para um setor que conta já com 64 mil firmas, de acordo com os dados da Central de Balanços do Banco de Portugal, divulgados nesta quarta-feira por Mário Lourenço, coordenador deste núcleo de análise do banco central.

Em 2018, quando Portugal recebeu 12,8 milhões de turistas estrangeiros, o número de companhias em atividade neste setor aumentou 6,7% face aos 12 meses anteriores. O ritmo de nascimentos tem sido constante desde 2016 à boleia dos recentes recordes que esta atividade tem registado.

O Banco de Portugal dá conta que, entre 2008 e 2018, o peso do setor no total das empresas existentes no país aumentou 2,1 pontos percentuais, estando o volume de negócios a acompanhar este crescimento (+48%). Só no ano passado, a subida foi de 9%. A criação de novos negócios tem também permitido aumentar o número de postos de trabalho.

A procura turística contribuiu com 29,8 mil milhões de euros para a economia portuguesa

Num panorama traçado nesta quarta-feira, a autoridade monetária assumiu que 90% do tecido empresarial do turismo é composto por microempresas - seguindo a tendência do universo das companhias no país. As grandes empresas deste setor representam apenas 0,1%. Contudo, o volume de negócios que têm vale 39% do total da atividade do setor. Mário Lourenço destacou, ainda assim, que as pequenas e médias empresas (PME) são as responsáveis pela maior parcela do volume de negócios e pessoas no turismo.

A Área Metropolitana de Lisboa é a que regista maior número de empresas (38%), o que pode ser explicado pelo facto de as sedes das mesmas se encontrarem na capital, estando a região norte logo atrás, com 26% destas estruturas. Lisboa volta a destacar-se quando se fala do volume de negócios (59% do total) e do número de pessoas ao serviço (43%). Apesar desta preponderância, o setor do turismo apresenta "uma maior dispersão territorial face ao total das empresas" com destaque para o maior peso na região do Algarve e nas regiões autónomas. A sul do país, o peso das empresas do setor do turismo, o mais elevado de todos, foi de 27%. Há dez anos, era apenas de 17%.

Turismo vale quase 15% do PIB

Também nesta quarta-feira foi revelada a Conta Satélite do Turismo do INE, relativa a 2018, que mostra que a procura turística contribuiu com 29,8 mil milhões de euros para a economia portuguesa, o que representa 14,6% do PIB, mais 7,7% do que em 2017.

O ritmo de crescimento do turismo está mais lento: em 2017, a atividade valia 27,69 mil milhões de euros para a economia nacional (14,1% do PIB), um avanço ainda assim de 17,9% face a 2016. A Conta Satélite confirmou ainda que, em 2017, o turismo era responsável por 413 mil empregos.

jornalistas do Dinheiro Vivo

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