O que faria com o Euromilhões? E com um aumento salarial? 

Em conversas de amigos, por vezes, surge a pergunta: "o que farias se te saísse o Euromilhões?" As respostas são do mais divertido que há. Este verão um dos amigos respondeu apenas: "já ficaria feliz se o meu salário aumentasse, porque está congelado há mais de uma dúzia de anos". Esta é uma realidade que afeta uma grande fatia dos portugueses. Primeiro foi a grande crise financeira, depois a troika, a seguir o défice e agora a pandemia. Quando voltarão os portugueses a recuperar o seu poder de compra?

Este ano, pelo menos no sector privado, a guerra já está dada como perdida. Mas diz a consultora internacional Mercer que em 2022 é que é! O último estudo, publicado esta semana, aponta que no próximo ano vêm aí aumentos e serão superiores (aos escassos) aumentos de 2021. Podem chegar aos 2% diz a Mercer. A maioria das empresas ouvidas aponta como principais fatores ao incremento salarial, o desempenho individual do colaborador, o posicionamento na grelha salarial e os resultados da firma. E admitem que as intenções de subida salarial oscilam entre os 1,89% e os 2,59%, o que reflete o espírito do universo empresarial na recuperação económica do país.

Mais: a percentagem de empresas com congelamentos salariais previstos para 2022 para a totalidade da sua estrutura organizacional decresceu face a 2021 (7% versus 11%) e ainda mais face a 2020 (17%). Um bom indicador.

Segundo o mesmo estudo, que ouviu mais de 500 empresas no mercado português, 31% das companhias perspetiva o aumento do número de colaboradores ainda em 2021 e 27% têm essa mesma expectativa para 2022, ainda que 41% afirmem não saber ainda se vão aumentar, reduzir ou manter os efetivos. De forma clara, apenas 7% afiança que vai cortar pessoal.

Com a recuperação económica à vista, as organizações parecem mais seguras. E mostram-se preocupadas em reter talento, por isso declaram que vão continuar a apostar num conjunto de benefícios de curto prazo que levem os seus trabalhadores a sentir-se bem e valorizados. Por vezes os pequenos sinais podem ser gigantes para conseguir um melhor clima laboral e reter as pessoas certas, de quem as empresas mais precisam mesmo.

Que este e outros estudos sejam o primeiro sinal de uma lufada de ar fresco e de um outro normal laboral logo que a pandemia fique, realmente, controlada. Como afirmou o Presidente da Repúlica, esta semana à saída da reunião do Grupo de Arraiolos, em Roma: "Tomar decisões antes de ouvir os especialistas é o mundo de pernas para o ar".

Diretora do Diário de Notícias

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG