Na noite de todas as surpresas, o Benfica voltou a entrar em falso na Champions

Após uma primeira parte sem golos, Timo Werner, com um bis, deu o triunfo aos alemães, que entraram muito melhor no segundo tempo. Seferovic ainda reduziu, mas não chegou.

Terceiro ano consecutivo que o Benfica entra na Liga dos Campeões com uma derrota (e nas duas vezes anteriores não passou a fase de grupos). Nesta terça-feira, na Luz, com Bruno Lage castigado a ver o jogo na bancada e com várias surpresas no onze (e mais uma no decorrer do jogo), as águias foram derrotadas pelo RB Leipzig, por 2-1, num jogo onde os alemães, atuais líderes da Bundesliga, mostraram que são uma equipa mais forte, apesar de na estatística final as águias apresentarem mais remates (16 contra 12) e quase a mesma posse de bola (48% contra 52%). Para já, o clube da Luz é último do grupo G, já que no outro jogo, o O. Lyon e o Zenit empataram a um golo.

Bruno Lage, que devido a castigo viu o jogo na bancada, apresentou três novidades no onze, embora uma das alterações já fosse algo esperada, com a inclusão de Jota no lugar de Seferovic, que permitiu a Raúl de Tomás jogar mais adiantado. A grande surpresa foi no lado direito da defesa, com o jovem Tomás Tavares, de apenas 18 anos, no lugar de André Almeida, a fazer a sua estreia absoluta com a camisola do Benfica. A terceira alteração foi a aposta em Cervi (nesta época ainda não tinha jogado e chegou a estar com um pé fora da Luz) no lugar de Rafa.

O RB Leipzig, de Julian Nagelsmann, treinador de apenas 32 anos que se tornou o mais jovem técnico da Bundesliga (com 28 anos pelo Hoffenheim, em 2016) e o mais novo de sempre da Liga dos Campeões (31 anos e 58 dias, na época passada), conhecido pelas constantes variações de sistema que as suas equipas apresentam, atuou num esquema de 4X4X2 (e não com três centrais), com Timo Werner e Poulsen no ataque.

Não é por acaso que esta equipa patrocinada pela Red Bull é líder da liga alemã. Isso ficou evidente na forma como se posicionou em campo, sempre a pressionar, a sair depressa para o ataque e a não dar praticamente espaços aos jogadores do Benfica, que sentiam grandes dificuldades em chegar à área germânica, sobretudo nos primeiros 20 minutos.

Veja como ficaram os resultados desta terça-feira da Champions.

Com sistemas muito idênticos (4X4X2), o Leipzig marcou aos sete minutos, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo de Fosberg. O outro lance de perigo dos germânicos surgiu aos 26', com Vlachodimos a defender o remate de Timo Werner. Faltava ao Benfica a criatividade de Pizzi, que jogava muito encostado ao lado direito. Os lances de maior perigo dos encarnados surgiam através de aberturas de Taarabt e centros de Grimaldo.

O Benfica espevitou nos últimos dez minutos do primeiro tempo, com duas ou três arrancadas de Jota e com um cabeceamento de Raúl de Tomás ao segundo poste em cima do intervalo. Mas Gulácsi defendeu. Apesar de o Leipzig ter entrado melhor, o Benfica equilibrou a partida a partir da meia hora. E as duas equipas chegaram ao final do primeiro tempo praticamente com a mesma posse de bola e o mesmo número de remates (5).

Destaque na primeira parte para a boa atuação do jovem Tomás Tavares, que apesar da estreia de fogo não acusou o nervosismo e esteve sempre muito certinho, sem complicar, seguro no lado direito da defesa e nas dobras aos centrais e nas duas ou três vezes que se aventurou no ataque.

A segunda parte começou logo com dois bons lances de ataque de Timo Werner, mas ambas as ocasiões foram resolvidas por Vlachodimos. E aos 48', após uma boa combinação do ataque, os alemães quase abriram o marcador. Mas mais uma vez o guarda-redes do Benfica mostrou estar atento. Respondeu Raúl de Tomás, com um remate em jeito, só que ao lado, aos 51'. Mas a entrada forte dos alemães no segundo tempo, com transições rápidas, causava momentos de algum pânico.

O Benfica deu um ar da sua graça aos 61', com um bom remate de Pizzi que Gulácsi defendeu. Aos 66 minutos, Lage (ou melhor, o adjunto Nélson Veríssimo, que o substituiu no banco) promoveu mais uma estreia, com a entrada do jovem médio David Tavares para o meio-campo, que jogou pela primeira em jogos oficiais com a camisola da equipa principal. Era uma forma de dar mais consistência ao centro do terreno porque os alemães estavam a ganhar esse setor.

Apesar das dificuldades, Pizzi esteve novamente perto do golo, aos 69', com a bola a sair ao lado. Mas no minuto a seguir, o Leipzig marcou pelo inevitável Timo Werner, que chutou com força de pé direito, após assistência de Poulsen. Grimaldo, com um tiro de longe (71'), ainda levou perigo às redes germânicas, mas Gulácsi defendeu. Cervi teve o golo do empate nos pés aos 75', mas de forma incrível permitiu a defesa do guardião do Leipzig, Incrível!

A estratégia de fortalecer o meio-campo foi por água abaixo com o golo do Leipzig, que aumentou a vantagem aos 79', novamente por Timo Werner. Já com Seferovic em campo, o Benfica ainda reduziu para 1-2 aos 84'. E tentou chegar ao empate nos últimos minutos, numa altura em que também Rafa já estava em campo. Mas a boa reação final do Benfica não teve correspondência em golos. E a derrota confirmou-se. Muito devido à entrada demolidora da equipa de Julian Nagelsmann na segunda parte.

O primeiro golo do Leipzig.

O segundo golo do Leipzig.

O golo do Benfica.

FICHA DO JOGO

Benfica-RB Leipzig, 1-2.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores: 0-1, Timo Werner, 69 minutos; 0-2, Timo Werner, 78 e 1-2, Seferovic, 84.

Benfica: Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Fejsa, Taarabt, Pizzi (Rafa, 76), Cervi (Seferovic, 76), Jota (David Tavares, 67) e Raúl De Tomás.

RB Leipzig: Gulácsi, Orban, Konaté, Mukiele, Laimer (Haidara, 39), Sabitzer, Forsberg (Nkunku, 88), Demme, Halstenberg (Klostermann, 83), Poulsen e Werner.

Árbitro: Tasos Sidiropoulos (Grécia).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Poulsen (57), Jota (62) e Haidara (70).

Assistência: 46 460 espectadores.

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