"O nosso complexo de país-cauda-da-Europa ainda não foi curado"

O historiador José Eduardo Franco considera que os portugueses se subvalorizam e ao mesmo tempo mitificam a Europa, de que resulta uma submissão. Alerta: "No hino nacional somos 'heróis do mar' em vez dos pequenos 'heróis da terra'."

"Costumo caracterizar Portugal como um país-sempre-em-crise ou como uma espécie de país-inviável-que-sempre-se-viabilizou", afirma o autor de A Europa ao Espelho de Portugal. José Eduardo Franco, considera que na longa duração da nossa história é bem claro que "a experiência de crise tem sido o nosso estado mais regular" e após o tempo do império marítimo "retirámo-nos do mar" e de um espaço em que "era possível a aventura e a ousadia" e "virámo-nos para a terra". É nesse continente, a Europa, que o país depositou todas as "maiores esperanças", com o perigo de essa "obsessão pela Europa apresentar uma só via de solução para os nossos problemas e impedir-nos de apostar seriamente noutros caminhos".

José Eduardo Franco recupera neste conjunto de ensaios sobre a relação entre Portugal e a Europa muitos dos temas e dos protagonistas que tem estudado profundamente na vida académica. É o caso das teses inovadoras e com perspetiva crítica do padre António Vieira sobre a Europa - de que é corresponsável pela edição da obra total de Vieira em 30 volumes e nunca antes publicada de forma integral -, bem como do conhecimento sobre as políticas de Pombal que revolucionaram o país no seu tempo e com efeitos posteriores marcantes.

Ao terminar A Europa ao Espelho de Portugal, José Eduardo Franco deixa uma frase que é um alerta para a realidade nacional: "A obsessão pela Europa tem retirado alguma lucidez a Portugal." Quando se o questiona se não poderia ter sido de outra forma, o investigador é claro: "As obsessões obscurecem sempre as leituras mais lúcidas da realidade e impedem de considerar diferentes opções e diversidade de caminhos." Explica que neste livro procura apresentar, a partir da perceção de autores portugueses, representativos das várias épocas culturais e políticas, qual o lugar de Portugal e da sua relação com o continente europeu em que se insere geograficamente.

"A nossa relação com a Europa foi muito funcional a vários níveis e graus com variações na longa duração. O que se procura, nestes estudos, é demonstrar que a Europa, ou a imagem que construímos dela, funcionou ora como palco (de legitimação e reconhecimento), ora como espelho (de comparação, avaliação), ora como meta (patamar, modelo de progresso a atingir), diz, destacado em seguida que, "especialmente a partir do chamado Século das Luzes com Pombal, a Europa dita civilizada e do progresso torna-se omnipresente no discurso político reformista português".

Não duvida de que a partir de então a Europa "apresenta-se como meta de referência a atingir, como lugar ao mesmo tempo mítico e utópico, que Portugal deveria perseguir para superar o seu grave atraso e obscurantismo. Esta obsessão pela Europa acentua-se no discurso cultural do século XIX, através do cultivo de uma visão pessimista e deprimida da situação de Portugal, que engendra o complexo de país-cauda-da-Europa, do qual ainda hoje não nos libertámos".

Em resumo, sublinha, "as leituras demasiado críticas de nós enquanto povo, erguendo a Europa como meta a atingir, mas nunca plenamente alcançada, fabricaram o mito da Europa na cultura portuguesa e contribuíram, muitas vezes, para a nossa baixa autoestima enquanto comunidade imaginada".

Compara os tempos que vivemos na Europa com os que fizeram cair o império romano. Quem são desta vez os 'bárbaros'?
Essa comparação como exercício intelectual e chave de leitura não é minha e, como cito na bibliografia, já foi avançada por outros estudiosos. As comparações entre épocas históricas são exercícios académicos de análise estimulantes, mas sempre limitados e incompletos. No entanto, as leituras dicotómicas são tentadoras (bárbaros versus civilizados), mas são sempre simplificadoras da realidade. Hoje vivemos tempos muito complexos em que não é fácil distinguir claramente onde está a barbárie, se dentro ou fora. Está fora e dentro, pois a civilização não é só património nosso. Por vezes, os bárbaros "somos nós", quando traímos os valores que estão na base dos progressos civilizacionais que favoreceram que a humanidade avançasse no seu conjunto em ordem à construção de uma espécie de cidadania global assente na dignidade de todos os seres humanos e no cultivo de uma relação harmónica com a natureza. As culturas e as civilizações humanas têm valores altíssimos que, se partilhados e considerados, poderão ser o fundamento da construção em conjunto da utopia maior que é fazer do planeta Terra a pátria de todos, a casa comum sem excluídos.

Considera que a Europa aprendeu cruelmente com as duas guerras mundiais e que criou uma utopia que sobrevive até hoje. Tem o fim anunciado ou poderá reciclar-se?
As duas grandes guerras mundiais foram o preço pago em milhões e milhões de vidas para que a Europa, palco onde se desencadeou esses conflitos estendidos à escala global, viesse a aceitar entender-se, construir um projeto de união de estados e nações que tem sido a base de um tempo de paz inédito que já tem mais de meio século. A memória desses conflitos, profundamente traumáticos e devastadores, tem mantido a "união europeia" em democracia e sustido as tentações belicistas de correntes populistas que, hoje em dia, ameaçam regressar em força. O projeto político singular na história política mundial que é a União Europa, uma espécie de utopia realizada embora com limites, tem sobrevivido a crises diversas a que tem resistido. Estou convencido de que ainda tem condições de resiliência para continuar a reformar-se e a adaptar-se aos novos desafios, se houver líderes com visão, poder e determinação para vencer a nova vaga dos populismos vindos dos extremos ideológicos.

As novas gerações europeias acreditam - ou têm interesse - numa utopia feita à medida pelos "pais da Europa"?
Quero acreditar que as gerações dos nossos filhos vão pretender uma Europa mais coesa e sem fronteiras. Penso que as gerações que estão em fase de formação escolar e universitária terão maior sentido de pertença à Europa do que as gerações mais velhas. Tem havido uma aposta na "formação europeia" através de programas de mobilidade e de intercâmbio que promovem o convívio entre pessoas de diferentes estados e favorecem uma aproximação maior, também "afetiva", para além das fronteiras nacionais e culturais. Se este investimento na educação para a Europa continuar, as futuras gerações serão mais europeístas e não quererão regressar a uma lógica de vida nacionalista com fronteiras fechadas. Um indicador foi o referendo em Inglaterra que deu a maioria aos defensores da saída da União Europeia, o chamado Brexit. Os mais jovens escolarizados das grandes urbes eram mais favoráveis à Europa. Parece claro que a aposta para salvar o projeto Europa passa pela educação!

A "tonalidade messiânica" da nossa história que refere perdeu-se ou ainda se mantém?
A história da cultura portuguesa, no que respeita à perceção da origem e do destino de Portugal, testemunha o forte papel modelador das chaves de leitura de fundo messiânico-providencialistas. Com o processo de secularização cultural dos últimos duzentos anos, essa tonalidade messiânica tendeu a atenuar-se, mas vem, por vezes, ao de cima, em revivalismos surpreendentes embora laicizados. Observamos laivos de messianismo, por exemplo, quando tendemos a depositar as esperanças do desenvolvimento do nosso país num líder político ou de outra natureza que tendemos a mitificar. Até já se viram casos destes nas décadas mais recentes do nosso regime democrático.

Os portugueses têm consciência do atraso de Portugal em relação à Europa ou os 'Ronaldos' e os 'Horta Osórios' da vida dão-lhes a ilusão de terem um lugar nesse mundo?
Como disse atrás, o nosso complexo de país-cauda-da-Europa ainda não foi curado. Há ainda muito em voga a ideia, incrustada na nossa mentalidade, de que somos um país-coitadinho, um país-caseiro-da-Europa, retraído, atrasado. Como sabemos, essa visão simplificada é injusta em relação a alguns setores em que não ficamos atrás do que melhor se faz nessa Europa a que o nosso Século das Luzes apelidou do progresso, da razão e da civilização, colocando Portugal num mundo à parte. No entanto, como o discurso evidenciador do nosso atraso foi tão hegemónico e insistente no plano cultural durante mais de duzentos anos, gerou uma chave de leitura que avalia sempre por baixo as nossas prestações como povo, contribuindo para uma espécie de baixa autoestima coletiva permanente. Ora, esse estado de autoestima deprimida torna-nos, bipolarmente, suscetíveis enquanto "comunidade imaginada" àquilo que podemos chamar de estados coletivos de euforia pouco duráveis, idolatrando figuras que se têm destacado na Europa e no mundo, como é o caso presente de Cristiano Ronaldo, ou então em realizações raras como a vitória no campeonato europeu de uma modalidade desportiva como o futebol. De repente sentimo-nos o povo mais excelente do mundo, identificando-nos coletivamente com a excelência de alguns de nós que se distinguiram lá fora. É esta espécie de existência psicocoletiva bipolar que muitas vezes obscurece a possibilidade de uma avaliação mais equilibrada das nossas possibilidades e capacidades.

O padre António Vieira utiliza a Europa como espelho para Portugal. Muda o paradigma nacional de algum modo?
Sim, de algum modo, o padre António Vieira, nas suas viagens pelos países europeus, aprendeu muito e usa esse conhecimento como referência crítica para apreciação do que se passa em Portugal. Não alcandora a Europa como um exemplo a seguir acriticamente. Destaca os aspetos positivos que devem ser tomados como boas práticas a ser seguidas, mas também não deixa de fustigar duramente, com o seu cinzel vituperador, o que lhe parecer mal. Não podemos classificar Vieira como um seguidista acrítico da Europa. Muitas vezes aponta o "envelhecimento" da Europa e acredita que esta tem muito a aprender com a vitalidade do Novo Mundo, o das missões ameríndias do Brasil de que ele foi um grande promotor, de onde acreditava que poderia nascer o processo de regeneração da humanidade no quadro do seu pensamento utópico sobre o império último e feliz da história, o Quinto Império.

É com Pombal que a palavra Europa se "vulgariza". Qual o significado desta mudança para o país?
O marquês de Pombal e alguns dos seus conselheiros, que eram destacados intelectuais iluministas, tornaram a Europa numa espécie de obsessão para Portugal, uma meta a atingir e um patamar de progresso pelo qual o nosso país se tinha de nivelar e até superar. A retórica reformista pombalina coloca a Europa como espelho de avaliação e horizonte a perseguir sem tréguas. A política pombalina é declaradamente orientada para recuperar Portugal do atraso em relação à Europa. Essa orientação então definida permanece intacta até hoje.

As elites tinham conhecimento do "desfasamento de Portugal em relação à Europa avançada", como alertava Luís António Verney em 1746, ou esta denúncia mais não era do que antijesuitismo?
As visões dualistas são simplificadoras, mas são altamente persuasivas e mobilizadoras. O Século das Luzes, através dos seus intelectuais e políticos, operou uma mudança de paradigma cultural e, a essa luz, inspiraram reformas, algumas delas radicais. Ergueram um mito luminoso como meta de referência, a Europa, e um mito negro como obstáculo a abater no qual concentraram a explicação causal de todo o nosso atraso: os jesuítas. Este esquema de leitura estruturou a retórica dos discursos reformistas do período pombalino e legitimou medidas políticas, algumas delas impiedosas e com efeitos brutais. Hoje temos dificuldade em compreender, e muito menos podemos aceitar, este modo de atuação política, nos antípodas da democracia, mas era recorrente nos regimes absolutistas.

A produção legislativa e ideológica de Pombal fez evoluir a realidade portuguesa ou não passou de uma tentativa?
Não podemos compreender o Portugal e o Brasil de hoje sem termos em conta a origem de determinados processos desencadeados pelas reformas pombalinas. De facto, D. José I com o seu primeiro-ministro, conde de Oeiras e depois marquês de Pombal, começaram uma "revolução" através de uma intensa produção legislativa reformista muito abrangente, a maior produção legislativa publicada num reinado, até então, na história política portuguesa. Esse afã reformista começou a mudar a paisagem política, social, religiosa, económica e cultural da metrópole portuguesa e do império ultramarino. Não mudou tudo de repente, mais abriu um caminho que nunca mais se fechou e conheceu vários andamentos nos últimos dois séculos e meio. Por isso é que os admiradores e críticos de Pombal tanto o viram como um Prometeu, como também como um Nero. É admirado como um Prometeu pela sua visão avançada, por ter promovido políticas reformistas que transformariam muitos setores da sociedade portuguesa. É repudiado como um Nero pelos métodos brutais utilizados, típicos dos déspotas esclarecidos, para impor algumas reformas contra aqueles que se tornaram críticos e opositores e lhe quiseram barrar o caminho. É por isso que Kenneth Maxwell certeiramente classificou Pombal como o "Paradoxo do Iluminismo" no livro que lhe dedicou com este subtítulo. Pombal é, de facto, uma das figuras mais fascinantes e mais complexas da nossa história, que precisamos de conhecer melhor para além da roupagem do mito e da lenda.

A maçonaria nunca aceitou o atraso e outorgou-se como instituição capaz de modernizar o país. Porque foi derrotada?
Não podemos afirmar que o projeto da maçonaria foi derrotado. A maçonaria tinha, como tinham outras instituições e correntes em cena na nossa história portuguesa, um projeto ideal para Portugal. A maçonaria nas suas diferentes obediências e expressões, através dos seus ideólogos, políticos e homens de cultura e ciência, fez, em geral, diagnósticos regulares dos nossos problemas e anquiloses e defendeu uma aproximação e inter-relação com os países da Europa considerados modelos de progresso e de cultura avançada, com destaque para os países europeus em que teve origem: Inglaterra e França. Neste livro dedico um capítulo a uma das figuras mais iluminadas da maçonaria portuguesa, Sebastião Magalhães Lima que, nos seus livros, opúsculos, artigos e discursos, faz o diagnóstico dos nossos atrasos em relação à Europa em linha com as preocupações de muitos intelectuais da segunda metade do século XIX e princípios do século XX, quer da sua área ideológica quer de outras áreas distintas da sua, que partilhavam as mesmas preocupações mas que propunham soluções diferentes para os mesmos problemas. Magalhães Lima defende o progresso mental, cultural e material do nosso país e da sua valorização através da cooperação mais estreita com os países latinos europeus do sul que vê decaídos e deprimidos em relação aos países do centro e do norte da Europa. Para este efeito, apresenta um projeto político de criação de uma federação das nações latinas, uma espécie de união latina, a fim de ganharam relevância política e se entreajudarem na recuperação do seu atraso. Sebastião Magalhães Lima revela na sua obra um pensamento utópico. Enquanto pacifista militante, é partidário da criação e do reforço de organismos reconhecidos de autoridade europeia e internacional para manter a paz e a concórdia entre os povos num contexto em que a ameaça da guerra era uma realidade recorrente e efetiva com consequências desastrosas.

A tertúlia dos Vencidos da Vida não poderia faltar num livro destes?
O grupo jantante e tertuliante autodenominado Vencidos da Vida, cultivando o espírito derrotista de fin de siècle, foi o grupo de intelectuais mais vencedor no âmbito da cultura do século XIX pela sua projeção e influência, nomeadamente mantendo-se até hoje uma referência brilhante na memória histórico-literária do nosso país. Os seus diagnósticos acutilantes sobre a decadência portuguesa e as suas propostas de reforma social, política, mental e cultural tiveram um grande eco e ainda são revisitadas e tidas em conta. Este grupo contribuiu, de forma intensiva, para apresentar a Europa como nosso espelho crítico e como meta mítica que deveríamos perseguir para encarrilhar Portugal na linha do progresso. Ao mesmo tempo, a sua visão profundamente pessimista e desiludida em relação ao estado presente de Portugal favoreceu o aprofundamento do complexo de Portugal como país-cauda-da-Europa ou da ideia de que éramos a última carruagem do progresso europeu.

Nem o pensamento de Eduardo Lourenço?
O professor Eduardo Lourenço é um dos pensadores nossos contemporâneos mais relevantes e influentes no que respeita à reflexão crítica sobre a nossa relação com a Europa e sobre o estado e o destino do projeto de União Europeia nos dias de hoje. Deu-nos livros que estão na linha dos grandes pensadores internacionais que têm pensado a situação cultural, política e social do nosso continente e do que lhe falta para superar as dificuldades resultantes da crise da identidade europeia ou de uma Europa à procura de uma identidade que seja o cimento da sua unidade. Esta demanda fundamental passa muito pela cultura, se quiser ser bem-sucedida.

Não deixa de registar que "a obsessão pela Europa" nos tem conduzido a uma "submissão humilhante". Porque somos assim?
Na medida em que nos subvalorizamos e mitificamos a Europa, tendemos a ser submissos e, com essa atitude, aceitamos ser, por vezes, alegremente repreendidos. Nós representamo-nos e cantamos enquanto povo no nosso hino nacional como "heróis do mar" com saudades de tempos imperiais marítimos. Contudo, temos sido nos últimos séculos acima de tudo pequenos "heróis da terra", pois retiramo-nos do mar, desse espaço-possibilidade, real e imaginário, de aventura e ousadia, e viramo-nos para a terra, para o continente que é a Europa e lá depositámos todas as nossas esperanças maiores. Esta obsessão pela Europa, não sendo negativa se não for exagerada, foca-nos demasiado numa só via de solução para os nossos problemas e tem-nos impedido de apostar seriamente noutros caminhos.

Até que ponto o atraso de Portugal faz parte da sua identidade?
Costumo caracterizar Portugal como um país-sempre-em-crise ou como uma espécie de país-inviável-que-sempre-se-viabilizou. Se olharmos na longa duração, a nossa história mostra-nos que a experiência de crise tem sido o nosso estado mais regular. De algum modo, os momentos de prosperidade têm sido intervalos curtos na nossa longa e quase permanente crise marcada por grandes sobressaltos e receios de hipoteca. Portanto, o nosso povo está, em certa medida, mais preparado (e habituado) para a crise do que para a prosperidade. Ressumbra desta nossa cultura de crise a opinião dominantemente expressa de que quando as coisas parecem estar bem é preciso prepararmo-nos para o pior, pois a memória da crise está bem marcada como uma cicatriz em carne viva que continua a doer. É este aspeto da nossa mentalidade que precisamos de mudar, ou seja, é preciso rever esta chave de leitura tendencialmente pessimista da perceção do que fomos e somos. Por isso, refugiamo-nos ora no passado, com saudade, ora no futuro, sonhando com impérios e mundos ideais. Mas, no fundo, o que precisamos é de nos concentrarmos e apostarmos no presente onde se jogam as nossas possibilidades futuras de sucesso.

A Europa ao Espelho de Portugal

José Eduardo Franco
Editora Temas e Debates
287 páginas

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