Linha do Douro com carruagens vintage para melhor apreciar a paisagem

Regiões do Norte e de Castela preparam campanha ibérica para promover paisagem património da UNESCO e defendem reativação da linha ferroviária até Salamanca.

O comboio vai ser a principal locomotiva para recuperar o turismo na região do Douro. A partir de meados de julho, o inter-regional entre Porto e Régua contará, em exclusivo, com carruagens Schindler, da década de 1940. Graças às janelas largas, que podem ser abertas, os utentes irão contemplar a deslumbrante paisagem do Douro Vinhateiro.

Com esta novidade, a entidade regional de turismo do Porto e Norte pretende espalhar os visitantes ao longo do Douro. Ao mesmo tempo, a região está a trabalhar com os vizinhos espanhóis de Castela e Leão para promover o património classificado pela Unesco. A primeira campanha deverá arrancar no próximo mês.

Em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, Luís Pedro Martins, líder da entidade regional de turismo do Porto e Norte de Portugal, também defende a reativação da linha do Douro até Salamanca, 35 anos depois do encerramento do lado espanhol.

Espalhar os turistas

Dos seis milhões de visitantes que a região do Porto e Norte de Portugal recebeu em 2019, "uma fatia de 75% nunca saíram da Área Metropolitana do Porto e apenas 4% visitaram o Douro - um território mágico e um excesso de Natureza, citando Manuel Torga." As opções de transportes explicam esta percentagem, no entender de Luís Pedro Martins, que dá os exemplos de cidades de Braga, Guimarães e Aveiro, que "cresceram no boom do turismo por terem a ferrovia.

O responsável do turismo do Norte lembra também que "a operação fluvial é muito importante, ajuda muito na promoção internacional, mas não dá flexibilidade aos turistas para fazerem roteiros à hora que quiserem." E, até agora, "não estava a ser possível fazer um mergulho nas margens do Douro, numa linha que é absolutamente estratégica para o turismo do Porto e Norte".

A melhoria da oferta ferroviária no Douro confere vantagens, como "distribuir melhor os turistas pela região". Ao utilizar carruagens recuperadas em vez de automotoras, "a experiência no Douro torna-se mais bonita. Poder experienciar a paisagem, com as carruagens Schindler, é muito interessante". Luís Pedro Martins diz mesmo: "Eu não teria coragem de promover o turismo através da ferrovia com as automotoras", em que não dá sequer abrir as janelas.

Estadia mais prolongada

O comboio Inter-regional Porto-Régua vai juntar turistas e locais, que poderão viajar em material circulante renovado nos últimos meses nas oficinas da CP em Guifões, Matosinhos. "É muito importante para a autenticidade não termos só a paisagem e a cultura como também as suas gentes. É muito positivo as pessoas poderem cruzar-se", assinala o responsável. Ao mesmo tempo, sustenta que, se estes comboios apenas contassem com turistas, "seria uma espécie de safari".

Ao mostrar o Douro em estado puro, a região de turismo do Porto e Norte quer prolongar a estadia média na região, de apenas 1,8 noites. "Gostaríamos de ultrapassar a fasquia das 2 noites. Temos tudo no Douro: paisagem, gastronomia, os vinhos, experiências nas quintas e o enoturismo." Aumentar o tempo de permanência na região património também depende de "horários articulados, para que o turista possa apreciar e viver a experiência com tempo."

Luís Pedro Martins acredita que a viagem de comboio no Douro pode ser feita em vários contextos. Mas "acima de tudo, para todos os que chegam do aeroporto Francisco Sá Carneiro e que são obrigados a alugar um carro porque não se querem cansar e têm medo de se perder. Noutros países, estão habituados a ter a ferrovia como grande solução.

Reativação da linha até Salamanca

O regresso da aposta na linha do Douro também está a servir para "abrir um novo canal de comunicação" com a região espanhola de Castela e Leão. Neste campo, as duas entidades de turismo têm mantido várias reuniões. "Numa primeira fase, identificámos produtos turísticos comuns: a rota dos vinhos Douro/Duero e os patrimónios mundiais da Humanidade, em ambos os lados", destaca Luís Pedro Martins.

Em relação à linha do Douro, a entidade regional de Turismo defende o regresso da ligação até Salamanca, com acontecia até ao final de 1984. Dos organismos regionais, "a CCDR-N deu de imediato luz verde, e o mesmo aconteceu com a Junta de Castela e Leão". A nível nacional, decorrem conversações com o Governo português.

"Falámos com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e percebemos que está implicado com esta questão e que defende a Linha do Douro. Manifestou mesmo a disponibilidade de poder abordar esta questão com o seu homólogo. A mensagem já foi transmitida a Espanha e estamos a tentar agendar uma reunião ibérica."

Luís Pedro Martins assume que as obras de recuperação da linha do Douro implicam o compromisso de Portugal e Espanha. "Se do nosso lado o esforço não é assim tão grande, do outro lado o esforço é maior". Um eventual regresso da linha do Douro até Salamanca implicaria um investimento total de 578 milhões de euros: 163 milhões do lado de Portugal, mais 415 milhões do lado de Espanha. Em 2018, a Comissão Europeia mostrou-se disponível para financiar estas obras.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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