Alcoentre. Ficaram livres, mas escolheram viver ao lado da prisão
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Alcoentre. Ficaram livres, mas escolheram viver ao lado da prisão

Estes homens estiveram presos na prisão de Alcoentre, saíram em liberdade, mas decidiram viver ao lado da prisão onde passaram anos atrás das grades. Mudaram-se para fora das celas, mas nunca mais saíram dali. É quase uma Alcoentre perpétua.

"Não chores, matei um homem", foi assim que José Maria Ventura contou à mulher o que tinha acabado de acontecer. Era sábado. No dia seguinte ia batizar o filho, um bebé de 28 dias. As mulheres ficaram paradas na cozinha e esqueceram-se dos bolos e das toalhas a corar. Josélia ouviu o marido e obedeceu-lhe, não chorando. Veio atrás dele para Alcoentre, ali criou o filho e ali lhe nasceram os netos. "Esta agora é a nossa terra", diz. Odemira acabou-se-lhes na véspera do batizado.

Manuel Pequeno bem tentou fugir da terra para onde veio trabalhar na extração do barro. Casou-se com uma moça de Alcoentre e um dia matou-lhe o tio. "Ameaçava-me de morte há muito tempo. Atirei-lhe uma pedra à cabeça e ele morreu quinze dias depois." Livre, não regressou ao Alentejo. Vive a cem metros do sítio onde matou o homem que, insiste, prometeu tirar-lhe a vida. Ele só o conseguiu fazer primeiro.

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