Nigel Farage sobre o Brexit: "Será um insulto se forçarem um novo referendo"

Admitindo a contragosto que uma extensão do Artigo 50.º pode ser a única saída para Theresa May, Nigel Farage, ex-líder do UKIP, um dos maiores defensores do Brexit, disse, em Estrasburgo, em entrevista DN-TSF, que se houver um novo referendo a saída do Reino Unido da UE vai ganhar por uma margem ainda maior do que a de 2016.

Em entrevista ao DN e à TSF, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Nigel Farage, eurodeputado britânico que foi o rosto da campanha pelo Brexit, ameaça com "luta" os defensores da permanência do Reino Unido na União Europeia.

O antigo líder do UKIP considera que "será um insulto" caso se avance para uma nova consulta popular, mas diz-se "pronto" e convicto numa vitória por "margem ainda maior".

A 23 de junho de 2016, 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, 48% contra.

Agora que o Parlamento britânico chumbou o acordo, que expectativas tem para o futuro próximo na relação do Reino Unido com a União Europeia?

Legalmente, temos o Artigo 50.º incorporado nas leis britânicas. E daqui a 72 dias devemos simplesmente sair. Com ou sem acordo. É isso que diz a lei e é isso que espero que aconteça.

E é isso que acredita que acontecerá?

Não acredito que o gabinete da primeira-ministra [Theresa May] ou o Parlamento [britânico] tenham esse entendimento. Duvido que essa seja a decisão. Suspeito que haja lugar a todo o tipo de debates nas próximas semanas. Não tenho a certeza, nesta altura, de que haja uma maioria parlamentar para o que quer que seja.

Então...

O que eu suponho - não é o que eu quero, mas o que eu suponho - é que vamos assistir a um impasse e a uma extensão do Artigo 50.º [adiamento do Brexit].

Haverá um pedido para a extensão do Artigo 50.º?

O Artigo 50.º pode ser revogado ou pode ser adiado. Mas, para termos uma extensão do Artigo 50.º, precisamos de uma unanimidade no Conselho [Europeu] que concorde com isso. Mas não tenho a certeza de que possa haver outra escapatória para a primeira-ministra britânica. No entanto, com franqueza, tendo perdido por uma diferença de 230 votos, ela deve realmente demitir-se.

Tendo chegado a esta fase, o senhor ainda acredita que um não acordo é melhor do que algum acordo?

Um não acordo claro que é melhor do que um mau acordo. Em qualquer circunstância. Quem é que ia querer um mau acordo? Não há problema se não houver acordo. Não é ótimo, mas não é um problema.

Hoje mesmo, Michel Barnier, negociador-chefe da UE para o Brexit, abriu a porta à permanência do Reino Unido, tendo oferecido a disponibilidade da UE para "responder favoravelmente" a qualquer "evolução" da posição britânica, que vá além de um simples acordo comercial. Ou seja, parece uma oferta para a permanência. Depois do que foi possível demonstrar com as negociações, não acha que ficar na UE deveria ser uma hipótese a considerar?

Claro que este velho lugar não quer que o Reino Unido saia. Somos uma economia enorme. A nossa economia tem a dimensão das 20 menores economias do Mercado Único Europeu. Por isso, temos as classes políticas entre Bruxelas e Westminster a conspirarem para tentarem uma reviravolta no resultado democrático do referendo, porque o que eles querem mesmo é um segundo referendo. É isso que eles querem. Será um insulto se forçarem um novo referendo, mas digo-lhe: se querem lutar comigo outra vez, vou combatê-los.

Está preparado para uma nova campanha pela saída?

Ohhhh!, não se preocupe com isso, porque vamos vencer por uma margem ainda maior da próxima vez.

Isso quer dizer que não rejeitaria um novo referendo?

Eu não quero. É desnecessário. Já tivemos um. E tivemos a promessa de que seria implementado. Um segundo referendo será uma enorme brecha na confiança dos políticos britânicos contra as pessoas. Mas se acontecer, I'm ready!

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG