Uma educação sentimental (1)

No início de 1944, o capitão Evelyn Waugh chegara à meia-idade e, como sempre sucede nessas alturas da vida, enfrentava a dor corrosiva das escolhas irreversíveis, das opções sentidas como definitivas, mesmo que possam não sê-lo. "Morrera o amor entre mim e o Exército", diz o capitão Charles Ryder logo na primeira página de Brideshead Revisited. Também Waugh pressentia que, se escolhesse a carreira de oficial do Exército, iria ser um burocrata das armas até ao fim dos seus dias e não, não era essa a vida que queria viver, de modo algum. Tentou diversas alternativas, sem sucesso, mas nem sequer o chamaram para a entrevista quando se candidatou ao MI5, à época uma carreira respeitável para os homens da sua condição social com um módico de inteligência e alguma formação académica, mesmo que inacabada e sofrível.

Em Janeiro de 1944, pediu uma licença sem vencimento por três meses. Decidira regressar à escrita, o que sempre mais gostara de fazer, aquilo que melhor fizera em quarenta anos de existência. Afastou-se por uns tempos da intensa vida social que levava e escreveu, escreveu muito, furiosamente, com a sofreguidão e a paixão insanas dos que sabem que o tempo lhes escasseia. Milhares de palavras por dia, às vezes três mil numa só jornada de trabalho. Alojado num pequeno hotel em Devon, aquele era também um regresso às imediações de um lugar que conhecera bem, Madresfield Court. "Já lá estivera antes, já conhecia tudo aquilo", pensará Charles Ryder quando a sua companhia se instalou nas cercanias de Brideshead.

Pese a dedicação de quem o escreveu, Brideshead Revisited demorou mais do que o previsto a concluir. Waugh terminou o manuscrito ao fim de cinco meses, ultrapassando o prazo da licença que o Exército lhe concedera. A versão inicial chamava-se The Household of Faith, a história de uma casa e de uma família crente e devota. O livro seria publicado com um título muito mais longo, mas muito menos óbvio quanto às suas verdadeiras origens e intenções: Brideshead Revisited. The Sacred and Profane Memories of Captain Charles Ryder. A Novel. Seria dado à estampa em tempos sombrios e de guerra, com a marca da austeridade inscrita logo na primeira página: "Produced in complete conformity with the authorised economy standards."

Dedicado a Laura, a sua segunda e bem-amada mulher, Brideshead Revisited abre com uma advertência críptica, assinada com as iniciais E.W.: "Eu não sou eu: tu não és ele nem ela; eles não são eles." Evelyn Waugh não era ele? Seria antes Charles Ryder, a personagem principal? Era isso que queria dizer? Eu não sou eu: Brideshead Revisited é, curiosamente, a única novela completa de Waugh narrada na primeira pessoa, mas ele, em definitivo, não era Charles Ryder, ainda que aspirasse ardentemente sê-lo.

Arthur Evelyn St. John Waugh, um homem da classe média que crescera num subúrbio de Londres, filho de um editor ilustrado, nem sempre lidou bem com as suas origens sociais. O seu fascínio deslumbrado pela aristocracia, em especial pelos Lygon, talvez fosse uma forma de exorcizar a dolorosa consciência dessa diferença de status, o desconforto de saber que, por mais que fizesse parte do mundo de Madresfield, aquele não era, nem nunca seria, verdadeiramente o seu mundo. Eu não sou eu.

Por razões que não têm necessariamente que ver com as suas origens, Waugh começou a ter, desde muito novo, um sentimento de distância em relação à família. Ainda criança, sentia-se deslocado junto deles, mesmo que os amasse. Com o irmão mais velho a estudar longe, teve uma infância tranquila e feliz, mas algo solitária, passando dias e dias com as famílias de alguns amigos, poucos.

O decurso dos anos afastá-lo-ia dos familiares, com os quais convivia espaçadamente, mais por convenção e obrigação social do que por verdadeiro desejo de partilhar com eles o seu destino adulto. Por vezes, incomodava-se com a teatralidade do pai, sobretudo quando este lia trechos de Dickens em voz alta. Recordaria, porém, a beleza da entoação da voz paterna, que, dizia, "só era ultrapassada por John Gielgud". Começou a escrever Brideshead Revisited menos de um ano depois de o pai morrer, ignorando que, muitos anos após a sua própria morte, seria feita uma série televisiva baseada no livro. Realizada em 1981 pela Granada Television, quem nela desempenhou o papel de pai de Charles Ryder, o alter ego de Evelyn Waugh, foi... Sir John Gielgud.

Em Oxford, Waugh encontrou Hugh Lygon, filho segundo do 7.º conde de Beauchamp. As semelhanças de Hugh Lygon com o Sebastian Flyte do livro são por de mais evidentes e, de resto, apesar de alguma reserva, nunca houve uma preocupação excessiva em negar as analogias entre os Flyte de Brideshead e os Lygon de Madresfield Court, a casa ancestral situada no Worcestershire, que pertencia àquela família há mais de 800 anos. Números de opulência: com 136 divisões, o parque circundante de Madresfield Court exigia o cuidado de 24 jardineiros em permanência e a mesa de jantar tinha cem lugares sentados. Além dela, os Beauchamp eram proprietários de Halkyn House, a sua morada de Londres, em Belgravia, e de Walmer Castle, um enorme castelo em Kent, a residência oficial do conde Beauchamp enquanto titular do antigo cargo de Warden of the Cinque Ports. Os Lygon e a sua numerosa criadagem deslocavam-se entre as suas casas num comboio privado.

O ambiente era feérico, com festas sobre festas regadas a champanhe francês, o que levava a que Madresfield fosse conhecida entre a geração mais nova dos Lygon e dos seus amigos como Mad.

O ambiente era feérico, com festas sobre festas regadas a champanhe francês, o que levava a que Madresfield fosse conhecida entre a geração mais nova dos Lygon e dos seus amigos como Mad. Mad World é, aliás, o título de um livro de Paula Byrne (Mad World. Evelyn Waugh and the Secrets of Brideshead, 2009) que desvenda os mais ínfimos pormenores da vida sagrada e profana dos Lygon, incluindo a correspondência privada do conde e da condessa e o modo como Waugh os revisitou em Brideshead.

Os Lygon eram anglo-católicos fervorosos, a ponto de até os criados terem de os acompanhar à missa. Apesar de terem numerosos automóveis e cavalos, e mesmo um comboio privado que se deslocava entre as suas terras, quando iam à missa em Londres faziam-no de autocarro ou de metro. O conde viajava de chapéu alto no underground, a condessa de jóias e casaco de peles. Lord Beauchamp considerava que os táxis eram uma extravagância e que os domingos eram dias de descanso para todos, incluindo para os cavalos e para os automóveis. A mulher, Lady Beauchamp, tinha duas paixões litúrgicas: a religião e a alimentação. Segundo uma das suas filhas, ao jantar a condessa era capaz de comer um frango assado inteiro. Brideshead Revisited também é um livro excessivo em matéria gastronómica, como Evelyn Waugh reconheceu, bastando recordar as descrições dos almoços e dos jantares de Charles Ryder com o provocador Anthony Blanche ou com o parvenu Rex Mottram.

Ao contrário da mãe, rigorista e austera, o conde enchia os filhos de mimos e de presentes. Era conhecido como Boom devido ao tom forte da sua voz e, apesar de ser carinhoso e caloroso em extremo, preocupava-se também com a educação dos seus descendentes: à mesa de Madresfield só se falava francês e, acabado o almoço, todos se dirigiam à biblioteca, onde o pai lia em voz alta novelas históricas vitorianas. Uma das filhas recorda que a lição maior que lhes deu se resume numa palavra: tolerância. Tragicamente, não a mereceu em vida. Lord Boom era homossexual, e pagou caro por isso. Teve filhos, é certo, mas o facto de se ter casado com a irmã de Hugh Grosvenor, o poderoso e sinistro duque de Westminster, só agravaria as penas que sofreu. Um escândalo sexual obrigá-lo-ia a abandonar a família e o país que amava, sendo condenado a um exílio humilhante. A parecença com Lord Marchmain de Brideshead é flagrante, como flagrante é a presença do homoerotismo ao longo do livro de Waugh.

O seu irmão, Alec Waugh, publicara ainda jovem uma novela autobiográfica sobre os seus tempos de infância, A Loom of Youth (1917), que causou sensação por abordar o tema da homossexualidade entre os alunos de uma public school. Escrito em cerca de sete semanas, o livro foi um bestseller que provocou escândalo por ter uma alusão - de resto, brevíssima e fugaz - à homossexualidade. Porém, a polémica deveu-se, acima de tudo, ao facto de A Loom of Youth questionar, naquela época, o ethos cavalheiresco da educação ministrada nas public schools onde se formara a elite dizimada no Somme e noutros teatros sangrentos. Publicada durante a Grande Guerra, a novela de Alec Waugh foi encarada por muitos como uma obra antipatriótica, um ultraje à memória dos jovens de sangue azul que morreram com bravura em defesa do seu país e do seu rei (mais de mil antigos alunos de Eton foram mortos na Primeira Guerra, um conflito que veio acelerar dramaticamente o declínio e a queda da aristocracia britânica).

Evelyn Waugh tinha apenas 13 anos quando o seu irmão se tornou um dos escritores mais falados e criticados do Reino Unido. Em 1917, o mesmo ano da publicação de A Loom of Youth, entrara no Lancing College, um internato no Sussex. Os infelizes tempos que aí passou foram por ele recordados numa história inacabada, Charles Ryder's Schooldays, em que, uma vez mais, avulta o binómio Charles-Evelyn, ou vice-versa. Eu não sou eu, sempre. No Lancing College, Evelyn não fez um amigo, não encontrou uma alma gémea, não pôde cultivar o sentido de lealdade que será um dos traços mais marcantes do seu carácter. Para alguém competitivo e com as suas aspirações sociais, frequentar uma escola de segunda ordem, como o Lancing College, em vez de estudar em Eton, terá sido, por certo, uma das razões da infelicidade da sua juventude, passada em solidão profunda.

Enquanto isso, em 1918, o jovem Hugh Lygon entrava em Eton, seguindo as pisadas do irmão mais velho, William, ou, se quisermos, de Lord Elmley. Os irmãos Lygon desarmavam pela despretensão e pela ausência do snobismo que seria natural ou expectável em jovens da sua extracção social. Mais tarde, Hugh iria para Oxford, mas, apesar da formação recebida em Eton, só com a ajuda de aulas privadas conseguiu ingressar na universidade. Em Oxford, Hugh Lygon não se distinguiu como aluno, longe disso, e Evelyn Waugh também não: perdeu a bolsa, saiu da universidade sem sequer se formar (aliás, sempre interpretara a sua bolsa de estudos como uma recompensa justa por aquilo que já estudara, não como um incentivo a trabalhar mais...).

Ainda assim, nessa época não se exigia muito de um estudante de Oxford. A universidade destinava-se a ser a antecâmara de uma vida já traçada e o diploma pouco acrescentava ao destino de cada um, sobretudo para quem tivesse a linhagem e a fortuna dos Lygon.

Ainda assim, nessa época não se exigia muito de um estudante de Oxford. A universidade destinava-se a ser a antecâmara de uma vida já traçada e o diploma pouco acrescentava ao destino de cada um, sobretudo para quem tivesse a linhagem e a fortuna dos Lygon. De acordo com Waugh, e segundo o que escreveu nos seus Diários, aquilo que Oxford mais tinha a ensinar era the aesthtetic pleasure of being drunk, acordando no dia a seguir sem ressacas físicas nem culpas morais.

Alguns episódios de Brideshead Revisited são inspirados em factos passados nos tempos de Waugh em Oxford, como a perseguição a Anthony Blanche por um bando de rapazes homofóbicos e o seu banho forçado na fonte monumental de Mercúrio. Na realidade histórica, a vítima dos membros do Bullingdon Club foi Harold Acton, um contemporâneo de Hugh Lygon em Eton, que já aí se destacara pelo seu amor incondicional ao teatro. Figura lendária em Eton e em Oxford, Acton fez proclamações bombásticas e presunçosas no rescaldo da Grande Guerra, afirmando que, doravante, os jovens da sua geração e extração social tinham por missão combater a falta de gosto e o indiferentismo das massas. Da varanda do seu quarto, com um megafone na mão, Harold declamava poesia, sobretudo de Edith Sitwelll ou T. S. Eliot, tal qual o Anthony Blanche de Brideshead Revisited, que, também de megafone em punho, declamará versos de Eliot na varanda dos aposentos de Sebastian.

Contudo, a principal figura inspiradora da personagem de Blanche não foi Harold Acton, mas outro contemporâneo de Hugh Lygon em Eton: Brian Christian de Clavering Howard (ou simplesmente Brian Howard), dândi modernista e senhor de uma voz inconfundível, cujas origens familiares surgiam envoltas em penumbra e mentira. Descobrir-se-ia que o seu verdadeiro apelido era Gassaway e não Howard e que nada tinha que ver com a família proprietária de Castle Howard, a majestosa e esmagadora casa que, por outra coincidência, na série da Granada Television servirá de cenário a Brideshead.

À semelhança do que acontece com Charles Ryder em Brideshead, que mantém um quarto no piso térreo contra o conselho do seu primo, Evelyn Waugh mudar-se-ia a dada altura para um piso térreo, mais vulnerável à intrusão dos oportunistas e dos amigos de ocasião e, por conseguinte, mais exposto às tentações da boémia e do vício. Na decoração interior destacava-se um crânio humano, igual ao que Charles Ryder tem numa mesa do seu quarto e que tanto espanto provoca no obtuso primo Jasper.

Também à semelhança de Charles Ryder, Evelyn teve um grupo de amigos insípidos nos primeiros tempos de faculdade, que se reuniam no seu quarto para conversar sobre metafísicas e vãs filosofias enquanto bebiam xerez e mordiscavam queijo e bolachas. Tudo mudaria quando conheceu um aluno com infinito charme, Terence Greenidge, que, entre outras perfídias inocentes, era cleptomaníaco de objectos de pouco valor, como pentes e escovas ou corta-unhas. Um dia, Evelyn e Terence puseram a correr o boato segundo o qual um colega de que não gostavam tinha uma peculiar atracção sexual por canídeos. Chegaram a comprar um cão empalhado e a colocá-lo à porta do quarto da vítima. Uma noite, o deão da faculdade, ao atravessar os claustros vindo de um jantar académico bem regado, reparou no cão, estático e de olhar vítreo, que julgou ser alvo de bárbaras sevícias por parte do seu dono. Desde então, a vítima da brincadeira passou a ser vista como uma péssima influência para todos os estudantes de Oxford...

Se o infortunado estudante era ostracizado por causa de um cão empalhado, Evelyn Waugh, em contrapartida, ia ganhando acesso a novos e mais distintos círculos, graças ao humor e aos ditos espirituosos que iriam caracterizá-lo para sempre. Não por acaso, pouco depois de ele morrer, a escritora Nancy Mitford, sua grande amiga, disse numa entrevista: "Everything with him was jokes."

Pela mão de Harold Acton, Evelyn entrou no Hypocrite"s Club. Na altura, os clubes eram fundamentais para a vida dos estudantes, proibidos de frequentar os pubs das redondezas. Aí faziam iniciações várias, sobretudo no álcool adulto. O Hypocrite"s Club tomava o nome da palavra grega para "actor" e servia justamente como um palco de pose e representação, sendo presidido por Lord Elmley, o primogénito dos Lygon. Além do álcool, e à semelhança de tantos rapazes da sua geração, Evelyn Waugh atravessará em Oxford uma fase intensamente homossexual (como foi assinalado na sua primeira grande biografia, da autoria de Christopher Sykes, Evelyn Waugh, 1975, ou em obras mais recentes, como a de Douglas Patey, The Life of Evelyn Waugh. A Critical Biography, 1998).

A tolerância para com a homossexualidade, dentro de certos limites, representava, aliás, uma das marcas distintivas do Hypocrite"s, em confronto com o exclusivo e pedante clube Bullingdon

A tolerância para com a homossexualidade, dentro de certos limites, representava, aliás, uma das marcas distintivas do Hypocrite"s, em confronto com o exclusivo e pedante clube Bullingdon. Em 1924, Waugh confessou a um antigo colega de escola que em Oxford a sua vida tornara-se "quite incredibly depraved morally". Um dos convidados do Hypocrite"s, o futuro filósofo político Isaiah Berlin, recorda-se de o ver beijar um colega, à vista de todos. Evelyn acabaria por se aproximar de Hugh Lygon e de se apaixonar pela sua beleza pálida e etérea. Ao que parece, foram amantes, mas mesmo na sua autobiografia (A Little Learning, 1964) o escritor pouco falou do jovem Lygon, além desta breve referência: "Hugh Lygon, Elmley's younger brother, always just missing the happiness he sought, without ambition, unhappy in love, a man of the greatest sweetness..."

Enquanto estudantes - e ao contrário do que acontece com Charles e Sebastian em Brideshead Revisited -, Hugh Lygon nunca convidou Evelyn Waugh a visitar Madresfield. Pertenciam a mundos diferentes, por muito unidos que estivessem pela bebida, pelo amor jovem, pela pulsão autodestrutiva. Hugh seguiu a carreira que se esperava de um jovem da sua condição social, indo trabalhar para um banco em Paris, no Boulevard Saint Germain, onde foi infeliz e se afundou cada vez mais no álcool. Acabou na bancarrota, tendo de regressar às pressas a Inglaterra.

Talvez porque adivinhasse o fim próximo daqueles tempos, uma geração perdida celebrou com fervor insano a decadência iminente. O historiador David Cannadine conta que, na Primavera de 1919, Beauchamp integrava já o lote dos aristocratas ingleses que mais terras venderam, desfazendo-se de milhares de hectares. Com a fortuna em declínio, mantinham-se, porém, as sociabilidades de peso: uma noite, duas das irmãs Lygon, Lady Sibell e Lady Mary, ficaram até ao final de uma festa; de regresso à sua casa em Belgravia, repararam que não tinham consigo a chave e aí não havia ninguém para lhes abrir a porta. Como não traziam muito dinheiro, decidiram pedir a ajuda de algum conhecido, em vez de passarem a noite num hotel. Tomaram um táxi para casa de uma família amiga, os Baldwins, seus vizinhos em Worcestershire. O endereço dos Baldwins em Londres ficava em Downing Street, n.º 10. O porteiro de serviço acordou o primeiro-ministro e a mulher, e o casal acolheu em pijama, algo espantado, as jovens aristocratas. Na manhã seguinte, Stanley Baldwin telefonou a Lord Beauchamp pedindo-lhe que enviasse uma empregada com roupas adequadas para as suas filhas. Beauchamp recusou e, por uma vez, decidiu puni-las: Sibell e Maimie tiveram de sair da residência oficial do primeiro-ministro e regressar a casa a pé, até Belgravia, em trajes nocturnos de festa.

A tragédia acabaria por se abater sobre todos, mas os Lygon sofreram-na de uma forma particularmente dura. Talvez por isso, e por muitas outras coisas, Evelyn Waugh tornou-os personagens da obra mais importante que escreveu na vida, aquela pela qual muitos o conhecem, aquela que muitos outros jamais esquecerão.

Eu não sou não eu - e, como disse o Bardo, the rest is silence.

(Continua; uma primeira versão deste texto foi publicada no blogue Malomil)

Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia.

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