Google Travel ou como a Google quer fazer sombra às agências de viagens

Gigante tecnológica melhora ferramentas de pesquisa e cria 'secretária pessoal' que ajuda a escolher voos, hotéis e locais a visitar. APAVT garante que há espaço para todos os que criam valor. E não teme a concorrência.

É uma indústria de sucesso e está na moda. No ano passado, as viagens e o turismo criaram 319 milhões de empregos em todo o mundo e contribuíram com 7,8 biliões de euros para o PIB mundial, mais 3,9% do que um ano antes. Um mercado milionário que está a atrair cada vez mais investidores. A gigante tecnológica Google vai entrar na corrida e promete fazer sombra às agências de viagens. Google Travel é o novo player do turismo.

"Planear uma viagem é complicado. O número de ferramentas e a quantidade de informação que é preciso filtrar para decidir onde ir, onde ficar e que voo apanhar é avassalador e consome tempo. É por isso que hoje estamos a simplificar a forma como ajudamos os viajantes a planear as suas viagens", escreveu Richard Holden, responsável pela estratégia de viagens da Google, num post de blogue.

O que está a gigante de Silicon Valley a fazer? Desde esta terça-feira que tem um novo website - o Google Travel - que coloca ferramentas de pesquisa de voos, hotéis e pacotes de viagens todos no mesmo local. Ao mesmo tempo, a empresa passa a disponibilizar uma série de ferramentas de planeamento que ajudam a desenhar percursos - que podem ser complementados pelo Google Maps -, bem como recomendações de locais a visitar consoante se tenha mais ou menos tempo.

É uma espécie de "secretária privada" para as viagens, que permite gerir o calendário de acordo com as reservas que chegam ao e-mail, consultar o estado da meteorologia, ou encontrar sugestões de restaurantes ou de eventos em cada um dos sítios a visitar, para que se crie um plano de viagem mais adequado.

"Não é uma surpresa. Num mundo de digitalização e globalização, este movimento da Google não apanhou de surpresa o mercado", garante Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT - Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. Com a concorrência de um crescente número de players, "as agências de viagens tradicionais podem ter mais sombra, mas não deixam de ter um serviço que as diferencia".

Entre pesquisar destinos, fazer percursos ou criar planos só há uma coisa que esta nova ferramenta ainda não permite fazer: a reserva direta das viagens. Mas o salto pode estar próximo, com o mercado a antecipar uma aproximação da Google ao serviço da agência de viagens online, ocupando um universo que, hoje em dia, está na mão dos operadores.

"O nosso objetivo é simplificar o planeamento de viagens, ajudando a encontrar a informação mais útil e a recomeçar onde se parou seja em que dispositivo for. Vamos continuar a fazer planos e a tornar as viagens mais simples com o Google Maps, Google Search e Google Travel - para que possas sair e apreciar o mundo", completa Richard Holden.

A pergunta não é "como é que todos vamos disputar o cliente"; a pergunta é "estou a criar valor?". E a área em que as agências de viagens criam valor é na diferença entre informação e conhecimento. "A agência de viagens é alguém que me ajuda a escolher entre três e três mil", assume Pedro Costa Ferreira, garantindo que no mercado há espaço para todos. "A história do setor é de crescimento. As agências de viagens, na venda mais tradicional, a das passagens aéreas em companhias tradicionais, geraram 240 milhões de euros no primeiro trimestre, foi o melhor trimestre de sempre." E apesar da proliferação de sites de reserva própria, 94% das reservas do setor corporate ainda são feitas por agentes de viagens.

Costa Ferreira admite que "daqui a cinco anos ninguém saberá o que vai ser o mercado", mas acredita que "esta babel de motivações irá possibilitar que todos cresçam".

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