Premium Consumo de canábis. Surtos psicóticos e esquizofrenia aumentam 30 vezes depois da descriminalização

Em 2018, mais de 50% dos pedidos de auxílio para tratamento de dependência estavam relacionados com o consumo de canábis, o que confirma a existência do problema de saúde denunciado por um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

"53% dos pedidos de ajuda para combater a dependência (nos centros espalhados por todo o país) estão relacionados com canábis", revelou ao DN João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD). O coordenador para os problemas da droga não é, por isso, surpreendido pelos dados agora revelados por um estudo de três médicos investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que aponta para um aumento de 30 vezes mais internamentos hospitalares por surtos psicóticos e esquizofrenia, em doentes que são consumidores de canábis.

João Goulão sustenta que este aumento se prende com vários fatores, nomeadamente com "a manipulação da canábis, pois circulam cada vez mais produtos com substâncias psicoativas muito elevadas", mas também com "uma maior consciencialização do problema". "O que acontece é que muitos consumidores apanham valentes sustos e depois pedem ajuda nos centros." Além disso, "nos últimos tempos, nomeadamente depois da descriminalização [novembro de 2001], prestamos mais atenção a drogas como a canábis", sublinha. Considera que a publicação de estudos como este "é importantíssima", permitindo aos serviços do SICAD conhecer melhor o terreno onde se movimentam. Durante anos foi a heroína que mais utentes levou.

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