Premium Da ilusão da segurança 

Estava, como habitualmente, nos trabalhos da sessão plenária de Estrasburgo quando soube, ainda antes de ser notícia, que estava a haver um tiroteio no centro da cidade. É impossível não sofrer quando há tragédias, quando há mortes e ferimentos graves de pessoas que se limitavam a viver a sua vida ou a fazer o seu trabalho. É também evidente que toca ainda mais fundo quando, entre as pessoas atingidas, estão pessoas de quem sabemos os nomes, conhecemos ou nos cruzámos, como o jornalista italiano que estava a fazer a cobertura do mercado de Natal ou o músico polaco que integrava o movimento da música pela paz.

Talvez pelo facto de estar a decorrer o mercado de Natal, que é dos mais visitados do mundo, e na sequência das manifestações dos coletes amarelos, à chegada para a esta sessão plenária esperava-nos um aparato de "segurança" muito superior ao habitual. Os acessos ao Parlamento com mais controlo, a ter de se mostrar identificação não apenas à entrada como antes de entrar no perímetro da instituição, e a verificação das carteiras e das mochilas em cada um dos acessos ao centro da cidade, mas alargando o perímetro do centro em relação ao ano anterior. Ainda assim, o tiroteio aconteceu.

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Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.