De Bragança a Lisboa são 537 euros de distância… nos salários

Os dados da Segurança Social referentes a 2018 indicam que o peso dos contratos mais precários continua a crescer.

Um trabalhador no distrito de Bragança leva, em média, para casa 910,81 euros por mês. São menos 537 euros do que um trabalhador por contra de outrem empregado em Lisboa, que, em média, tem um ganho de 1449,43 euros. Ou seja, mais 45%.

Os dados foram divulgados pelo Gabinete de Estratégia e de Planeamento do Ministério do Trabalho Solidariedade e Segurança Social (GEP/MTSSS), através dos Quadros de Pessoal, referentes a outubro de 2018.

A informação permite comparar os salários médios praticados em todos os distritos de norte a sul do continente para os trabalhadores por conta de outrem no setor privado. O ganho médio corresponde à remuneração base, prémios e subsídios regulares e trabalho extraordinário ou suplementar.

Na lista dos que registam um salário médio mais baixo seguem-se os distritos da Guarda (€ 934,77), Castelo Branco (€ 935,09) e Viseu (€ 963,93), só para citar os primeiros quatro.

Comparando os distritos de Lisboa e Porto, por exemplo, um trabalhador da Invicta ganha, em média, menos 320 euros. Entre estes dois distritos está Setúbal, em que o salário médio é de 1219,80 euros, muito pelo efeito da Autoeuropa, que puxa pela remuneração média da região.

Ainda em relação a diferenças salariais, as mulheres ganham, em média, menos 227 euros do que os homens. Ou seja, menos 14%.

Precários ganham peso

No ano passado, mais de 1,8 milhões de trabalhadores por conta de outrem (TCO) estavam nos quadros das empresas, é um crescimento de 1,8% face a 2017 e representa 63% do total de empregados. Apesar de serem mais pessoas, o peso no total dos contratos "permanentes" nos TCO tem vindo a perder peso, pelo menos desde 2010, quando se iniciou a atual série.

"No que respeita ao tipo de contrato, 63,6% do total de TCO apurados encontravam-se vinculados por "contrato sem termo", 35,7% por "contrato a termo" e 0,7% por "outra situação". Face a 2017, o maior aumento, 8,7%, verificou-se no número de trabalhadores com "contratos com termo" (certo e incerto, excluindo os contratos temporários)", indica a síntese da Segurança Social. Ou seja, o ritmo de crescimento dos contratos precários tem sido mais rápido do que nos restantes.

O espaço deixado vago pelos contratos sem prazo tem vindo a ser ocupado pelos contratos a prazo, que já representam quase 36% do total.

De acordo com os dados do GEP, o número de pessoas ao serviço aumentou 3,9% em 2018, abrandando o ritmo face a 2017, ano em que acelerou 4,5%.

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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