Premium O governo é de esquerda?


Portugal é espantoso. Somos o único país europeu que já experimentou quase todas as combinações políticas, sempre com o mesmo resultado. Tivemos governos PS, PSD, PS-PSD, PSD-CDS, PS-CDS e PS-PCP-BE e, para lá de detalhes sectoriais, a atitude foi sempre a mesma: democracia com economia de mercado regulado, membro da EU, NATO, etc.

Esta última experiência, já no quarto ano, tem interesse especial por antes ter sido sempre rejeitada: durante 40 anos os partidos de extrema-esquerda não faziam parte do "arco da governação". Afinal fazem e sem as catástrofes previstas. Este facto motivará muitas análises futuras, mas uma tem especial relevância: o governo é de esquerda? Ou estará "amarrado às opções da política de direita", como disse Jerónimo de Sousa no discurso final da Festa do Avante! (aliás, sem deixar de apoiar essa política)?

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?