Premium Dias nada plácidos para Domingo. O #MeToo chegou ao deus da ópera

Aos 78 anos, o homem descrito como "um gigante sem rival na história da ópera" é confrontado com acusações de assédio e coação sexual ocorridos nos últimos 30 anos. E diz que, apesar de considerar nada ter feito de errado, "eram outros tempos", "as regras de hoje são muito diferentes das de então".

Mais de 4000 atuações, mais de cem discos gravados, e, feito inigualado na história da ópera, a 150.ª personagem aos 77 anos. Era assim que há um ano, em agosto de 2018, o The New York Times celebrava Plácido Domingo. Citando um ex-responsável da Metropolitan Opera de Nova Iorque, Joseph Volpe: "Se se olhar para a história dos cantores de ópera, ele tem um lugar próprio. Se alguma vez houve um gigante nesta indústria, ele é Plácido Domingo. Não tem rival."

Um gigante sem rival, o homem mais poderoso do mundo da ópera, um deus, alguém a quem era arriscado dizer não se se tivesse ambições na indústria: é exatamente assim que Plácido Domingo é descrito, por nove mulheres, no trabalho de investigação da Associated Press publicado nesta terça-feira e no qual oito cantoras e uma bailarina - todas exigindo anonimato à exceção de uma e todas, aparentemente, americanas ou tendo tido contacto com Domingo na América - descrevem a forma como, em datas que recuam ao final dos anos 1980 e prosseguem até ao final dos anos 1990, a lenda insistentemente as assediou, perseguiu e tocou de forma "inapropriada" e, em alguns casos, logrou em parte ou totalmente aquilo que é descrito como sendo os seus intentos: ter sexo.

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