Premium A universal verdade dos mentirosos

O meu avozinho era assassino! O meu, o nosso. Nos ibéricos, como eu, cem por cento dos cromossomas Y provêm dos yamnayas, o povo que há 4500 anos galgou os Pirenéus e por cá ficou. Eles vinham das estepes euro-orientais, traziam cavalos e carroças de quatro rodas, alta tecnologia e armas letais. Atravessaram a Europa e, custa dizê-lo, o vovô vinha com péssimas intenções. Cumpriu-as: há dias, o jornal El País publicou nas suas páginas de ciência um magnífico artigo sobre isso. As então mulheres ibéricas tinham utilidade e os yamnayas serviram-se dessa função: emprenharam-nas. Mas, para esses invasores, os ibéricos de então não serviam para nada (não havia agricultura nem indústria exigindo mão-de-obra). Inúteis, os indígenas foram abatidos.

Não há volta a dar, o meu tetravô estava do mau lado moral e do bom lado prático. Os outros foram dizimados; ele e os seus primos sobreviveram. Eu podia armar-me em vítima, afinal sou ibérico, e acusar aquela invasão continental - mais uma que o bicho homem fazia desde que partiu do Corno de África. Dedo estendido, eu apontava os yamnayas: eles mataram os meus conterrâneos! O problema são os dados genéticos. Eu e todos os novos ibéricos (também o leitor) não somos herdeiros das vítimas. Pelo contrário, descendemos dos assassinos. Vovô, apesar da vistosa carroça de tração a quatro rodas, era um bruto, violador de mulheres e assassino dos homens.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Espanha

Bolas de aço, berlindes, fisgas e ácido. Jovens lançaram o caos na Catalunha

Eram jovens, alguns quase adultos, outros mais adolescentes, deixaram a Catalunha em estado de sítio. Segundo a polícia, atuaram organizadamente e estavam bem treinados. José Manuel Anes, especialista português em segurança e criminalidade, acredita que pertenciam aos grupos anarquistas que têm como causa "a destruição e o caos" e não a luta independentista.