Premium O passado incerto

Por mais irritante que se apresente ao leitor, a maior parte dos jornalistas - este, infelizmente, incluído - nem sempre conseguem fugir a expressões do tipo "o senhor X terá dito", "a senhora Y terá cometido", "o alegado crime", "o suposto favorecimento" e por aí adiante. É a ditadura do condicional. Na atualidade jurídico-político-partidária brasileira, depois do show do solta Lula, prende Lula do último domingo, o caso é ainda mais grave: a imprensa depara-se com o passado do condicional ou, como se lê nas gramáticas brasileiras, o futuro do pretérito.

Afinal, Lula teria sido condenado. E alegadamente foi preso. Porque, pelos vistos, pode ser solto a qualquer momento por via dessa figura do habeas corpus, cuja principal função é deixar tudo incerto, até o passado. Por alguma razão no Brasil se diz isso mesmo: "Aqui até o passado é incerto."

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