Premium Brexit avança. Transição, Escócia e Irlanda são as novas dores de cabeça de Boris

A vitória de Boris Johnson acaba com as dúvidas sobre a saída da UE. Mas outras nascem: quando e como se dá a separação com Bruxelas, se o Reino Unido se desfaz e quem fará oposição aos tories.

Boris Johnson foi bem-sucedido naquilo em que Theresa May falhou. Em 2017, quando a anterior líder conservadora antecipou eleições para reforçar a sua posição nas negociações do Brexit, o Partido Conservador recebeu mais votos e subiu na percentagem, mas perdeu 13 deputados e, em consequência, a maioria parlamentar. O seu sucessor apostou de novo nas eleições para desatar o nó górdio de um Parlamento paralisado, reforçar o poder interna e externamente e clarificar a paisagem política - desta vez com sucesso. "O padrão estava lá em 2017. Eram exatamente estas as pessoas que queríamos. Muita coisa aconteceu em dois anos. Tivemos uma série de votações diferentes e que foram bloqueadas pelo Parlamento, por isso penso que o contexto é ligeiramente diferente neste ano", comentou Fiona Hill, que foi chefe de gabinete de Theresa May.

O Partido Conservador elegeu 365 deputados em 650 e de uma só vez acabou com a ilusão de quem não queria sair da União Europeia (UE) - segundo as sondagens, paradoxalmente, mais de 50% dos eleitores - e com as lideranças dos partidos trabalhista e liberal democrata. Mas a sua vitória também põe em causa o futuro do Reino Unido, com os nacionalistas escoceses e irlandeses a querer um referendo à independência.
Indiferente a essas tomadas de posição, o primeiro-ministro dirigiu-se aos britânicos na sexta-feira à tarde, tendo apelado ao fim do debate e ao "sarar das feridas". Ao mesmo tempo garantiu que o governo "nunca irá ignorar os bons e positivos sentimentos de carinho e simpatia [dos eleitores] para com as outras nações da Europa".

Ler mais

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG