Dragão vê 44 milhões a voar após primeira parte de danos irreparáveis

FC Porto eliminado pelo Krasnodar depois de ter vencido fora por 1-0. De nada valeram os dois golos portistas no segundo tempo depois dos três golos da equipa russa na primeira parte.

Três dias depois do galo da derrota em Barcelos no arranque do campeonato, o FC Porto voltou a ser derrotado com surpresa, mas, desta vez, com algum estrondo. Nem o mais pessimista dos portistas esperava estar a perder por 0-2 aos 12 minutos ou por 0-3 ao intervalo frente a um Krasnodar que arruinou logo na primeira quinzena de agosto um dos principais objetivos da época dos azuis e brancos: a presença na Liga dos Campeões e o encaixe de 44 milhões de euros que isso implicava. Na segunda parte a equipa portuguesa reagiu bem e marcou dois golos, mas os danos causados na etapa inicial revelaram-se irreparáveis.

Nunca, na história do clube nas competições europeias, o FC Porto tinha estado tão cedo a perder em casa por uma diferença de dois golos. De nada valeu a recuperação de Danilo, ausente no duelo com o Gil Vicente, e as outras quatro alterações promovidas por Sérgio Conceição em relação ao encontro da 1.ª jornada da I Liga. A única coisa que teve um efeito-surpresa nos primeiros minutos do jogo foi mesmo o golo do médio holandês Tonny Vilhena, que apareceu sozinho ao segundo poste na sequência de um canto - foi o golo mais rápido de sempre sofrido pelos dragões em casa nas provas da UEFA, logo aos três minutos.

Se os portistas mudaram três peças em comparação com o onze apresentado na Rússia, com Saravia, Luis Díaz e Nakajima a surgirem nos lugares de Manafá, Romário Baró e Soares, os russos promoveram apenas uma alteração, mas supereficaz: saiu o dinamarquês Namli, entrou Shapi Suleymanov. E o jovem extremo russo de 19 anos, cujo nome merece ser fixado por quem gosta de acompanhar o futebol internacional, marcou o segundo (12') e o terceiro golo dos russos (34'), ambos no seguimento de transições rápidas, via prioritária da formação do leste europeu para chegar à baliza de Marchesín.

Com cinismo, objetividade e tremenda eficácia, o Krasnodar foi para intervalo a vencer por 0-3 perante um FC Porto sobre brasas, sempre muito em esforço e dependente de rasgos individuais, nomeadamente as chegadas à frente de Sérgio Oliveira, a liberdade de movimentos de Nakajima no espaço entre linhas na zona central e as arrancadas de Luiz Díaz na ala esquerda. Ainda antes do descanso, Sérgio Conceição deu mais pendor ofensivo à equipa ao trocar Saravia por Zé Luís, acrescentando mais presença na área, fazendo recuar Corona para lateral e passando Nakajima para o corredor direito.

Obrigado a anular três golos de desvantagem, algo que não consegue desde os tempos longínquos do Campeonato de Portugal, o vice-campeão nacional sofreu mais um dissabor no início da segunda parte. Desta vez não foi nenhum golo de Suleymanov mas sim a lesão de Sérgio Oliveira, que cedeu o lugar ao estreante Uribe.

Ainda assim, os portistas galvanizaram-se e passaram a jogar a um ritmo mais alto, circulando a bola com intensidade e fazendo-a chegar de um flanco ao outro com rapidez, à procura de desmontar as peças do bloco do adversário. Em certa medida, isso foi conseguido com o golo de Zé Luís, que no campeonato russo já tinha marcado cinco vezes ao Krasnodar, ao cabecear para o fundo das redes na resposta a um cruzamento de Alex Telles (57').

A cabeçada certeira do cabo-verdiano alimentou alguma esperança, mas o ritmo voltou a abrandar e o destino parecia traçado. Contudo, Luis Díaz, que vinha a dar boas indicações, repôs a crença através de um remate forte e colocado de fora da área, a passe de Corona (77'), atirando o jogo para uma reta final emocionante.

A vontade de chegar ao golo do apuramento foi muita, mas os estragos feitos no primeiro tempo revelaram-se irreparáveis. Antes deste percalço, o clube português apenas tinha sido eliminado uma vez em nove ocasiões em rondas preliminares, na época 2000-01, quando, depois de perder em Bruxelas, por 1-0, foi incapaz de dar a volta ao Anderlecht, empatando a zero no Estádio das Antas.

O FC Porto, que a par do Bayern Munique era o terceiro clube com mais presenças na fase de grupos da Liga dos Campeões (23), vai cair de um pódio liderado por Barcelona e Real Madrid (24) e ficar sem um encaixe de 44 milhões de euros com o qual já estava a contar, depois de um investimento de 60 milhões no mercado de transferências - e de uma injeção de 88 milhões. Assim sendo, o único representante português na prova milionária será o Benfica, que vai para a 16.ª participação na fase de grupos e devido à eliminação portista já sabe que vai ficar alojado no pote 2 do sorteio de 29 de agosto, evitando assim defrontar equipas como Real Madrid, Atlético Madrid, Borussia Dortmund, Nápoles, Shakhtar Donetsk e Tottenham.

Ao FC Porto resta agora esperar por 30 de agosto para conhecer os adversários na fase de grupos da Liga Europa - é cabeça-de-série, tal como o Sporting -, que arranca a 19 de setembro.

A figura: Shapi Suleymanov

Jovem promessa do futebol russo, foi a única novidade no onze de Sergei Matveev em relação ao jogo da primeira mão e revelou-se uma aposta mais do que certeira. Rápido, tecnicista e com qualidade na tomada de decisão, desmarcou-se com facilidade nas costas da defesa portista para colocar o resultado em 0-2 aos 12 minutos. Depois, aos 34', aproveitou uma ausência temporária de Alex Telles - a ser assistido devido a queixas físicas - para explorar a menor apetência defensiva de Luis Díaz para transportar a bola em diagonal da direita para o meio e rematar de pé esquerdo para o fundo das redes de Marchesín.

Depois de dez golos em 29 jogos na época passada, o extremo de 19 anos promete ser um nome a seguir nas próximas temporadas no futebol internacional.

Veja aqui os golos

0-1: Vilhena (3')

0-2: Suleymanov (12')

0-3: Suleymanov (34')

1-3: Zé Luís (57')

2-3: Luis Díaz (77')

Ficha de jogo

Jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto - Krasnodar. 2-3.

Ao intervalo: 0-3.

Marcadores: 0-1, Tony Vilhena, 3 minutos; 0-2, Suleymanov, 12; 0-3, Suleymanov, 33; 1-3, Zé Luís, 57; 2-3, Luis Díaz, 77.

- FC Porto: Marchesín, Saravia (Zé Luís, 37), Pepe, Marcano, Alex Telles, Luis Díaz, Danilo, Sérgio Oliveira (Uribe, 49), Nakajima, Corona (Aboubakar, 86) e Marega.

Treinador: Sérgio Conceição.

- Krasnodar: Safonov, Petrov, Martynovich, Spajic, Ramirez, Kambolov, Cabella (Stotski, 80), Tony Vilhena, Suleymanov (Jón Fjóluson, 65), Berg (Ignatyev, 73) e Wanderson.

Treinador: Sergei Matveev.

Árbitro: Marco Guida (Itália).

Disciplina: cartão amarelo para Kambolov (38), Tony Vilhena (45), Marega (52), Stotski (82), Zé Luís (90+5) e Spajic (90+5).

Assistência: cerca de 48 000 espectadores.

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