Alianças para as legislativas? Falem agora!

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Transparência e clareza são precisas na corrida dos partidos políticos às eleições legislativas. Muitos portugueses estão cansados da geringonça e dos casamentos que acabam em divórcio, quase litigioso. Vários deixaram de acreditar numa maioria de esquerda, de novo, no poder. Exaustos do modelo em que assentou a governabilidade dos últimos seis anos, são vários os que não querem voltar a olhar para uma equação que inclui a extrema-esquerda, mas também não pretendem dar carta-branca à extrema-direita, porque o povo não é parvo - como muitos querem fazer crer - e está bem ciente dos perigos dos extremismos.

Os lusitanos querem e merecem clareza de posições. Os partidos deveriam, nos próximos dias ou semanas, esclarecer ao que vão e com quem vão para as legislativas de 30 de janeiro. Se a maioria dos eleitores optar pelo voto útil, escolhendo um dos dois partidos grandes, vai querer saber com o que poderá contar em termos de política de alianças e o que cada um deles defende.

Talvez estejamos ainda longe de chegar a essa clarividência, mas o caminho tem de ser feito e de forma rápida, porque apenas dois meses nos separam da ida às urnas. E são precisamente os dois partidos maiores que têm de ir a jogo. Se PS e PSD reúnem, regra geral, entre 60% e 70% dos votos nacionais, então serão exatamente estes os responsáveis por assegurar um futuro de estabilidade em Portugal.

É patriótico garantir a governabilidade do país, sobretudo num momento de crise sanitária e económica como aquele que ainda vivemos. E para o futuro são essenciais acordos para áreas tão cruciais e estruturantes como a saúde, a educação, a defesa ou a política externa.

Os portugueses têm o direito de saber antecipadamente para que servirá o seu voto. "Digam agora, para decidirmos em consciência", pedem. O que os partidos disserem nas próximas semanas acerca da estratégia de alianças tem (mesmo) de corresponder ao que vão fazer a partir do final de janeiro. E o Presidente da República pode contribuir para essa clareza e estabilidade? Pode, exigindo entendimentos não só verbais mas escritos, que garantam previsibilidade e coloquem, acima dos interesses pessoais ou partidários, o verdadeiro sentido de Estado.

Uma nota final para parabenizar Angola que a 11 de novembro completou mais um ano, somando 46, como país soberano. Se a estas décadas de vida descontarmos a sangrenta guerra civil, podemos concluir que se trata de um Estado ainda jovem, que tem uma vida inteira pela frente, caminhando em direção à maturidade. Que o país possa afirmar-se como a grande potência (algo adormecida) que é e que os os povos angolano e português possam seguir um rumo digno de verdadeiros irmãos.

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