Os melhores filmes para quem quer perder o medo de ir ao cinema neste verão

Em tempos de regresso das salas de cinema de centro comercial vamos ter um verão sem 007, mas com muito Christopher Nolan, Mulan e alguns filmes de prestígio de festival...

Após os primeiros resultados de bilheteiras fornecidos pelo Instituto do Cinema e Audiovisuais já se percebeu que o grande público decididamente está com medo das novas regras das salas. Mesmo assim, são surpreendentes os números das salas que exibem cinema de autor. Com os constantes recuos e adiamentos do mapa dos grandes filmes americanos, o calendário apresenta poucos "blockbusters" e títulos sonantes de Hollywood. Vamos assistir a um lançamento de catálogo de refugo de muitas distribuidoras, já para não referir que obras esperadas como o novo Bond, Sem Tempo para Morrer, o último com Daniel Craig, foram adiadas para o pós-verão. Os fãs do agente secreto mulherengo têm agora que esperar até novembro.

Dê por onde der, o maior acontecimento será em agosto, dia 13, o tão esperado Tenet, de Christopher Nolan, uma fábula de espionagem cuja história está envolta no maior dos secretismos, sabendo-se apenas que se passa em diversas camadas espaço-temporais e mostra-nos uma dupla de agentes, John David Washington e Robert Pattinson, a tentar evitar um evento que pode provocar uma guerra mundial. É a grande aposta da Warner cujo próprio Nolan já referiu que não tem problemas em servir de proveta para o verdadeiro e efetivo regresso do público às salas. Antes disso, os cinemas vão repondo filmes seus anteriores como A Origem (2010), Interstellar (2014) e o sobrestimado Dunquerque (2017). Cinema para criar apetite e que também poderá ser visto em casa - estas reposições estão ao nosso alcance no comando televisivo nos videoclubes das operadoras.

Em julho, um dos títulos mais sonantes é O Espaço Entre Nós - Proxima, de Alice Winocour, filme francês multilingue com Eva Green e Matt Dillon. História de uma astronauta que se debate com a separação da sua pequena filha em vésperas de uma missão espacial em Marte. Cinema de ficção científica com melodrama clássico e refinado. O mês traz ainda As Maravilhas de Montfermeil, de Jeanne Balibar, cinema francês menos expansivo e com um elenco de luxo onde pontificam, além da própria Balibar, Matthieu Amalric, Emmanuelle Béart e Bulle Ogier.

Uma co-produção israelita com dinheiro internacional chamada The Operative - Agente Infiltrada, de Yuval Adler, será seguramente uma das boas surpresas. Um magnífico thriller inspirado no bestseller The English Teacher, de Yiftach R. Atir, em que se relata as atribulações de uma agente da Mossad em Teerão. Suspense seco e duro, perfeito para se ver à luz dos últimos acontecimentos explosivos no Irão.

Vindo de Cannes com algum frisson é a comédia de suspense A Flor da Felicidade, de Jessica Hausner, bizarra história sobre uma flor criada num laboratório capaz de surpreendentes poderes. Um filme sem medo de deixar desconfortável o espetador perante o arraial de emoções do absurdo. Desconcertante, no mínimo. Chega no fim de julho, precisamente uma semana antes do ciclo Essencial Fellini, promovido pela Alambique. Vamos poder rever ou descobrir obras como A Doce Vida, Fellini Oito e Meio, A Estrada, Julieta dos Espíritos, A Voz da Lua ou Os Inúteis. Numa altura em que os clássicos continuam a trazer muito público, pode estar estar aqui um dos sucessos de estima da temporada.

Mulan, de Niki Caro, remake em imagem real do clássico animado da Disney, é a primeira grande proposta para um público mais juvenil. 20 de agosto é a nova data depois de muitos adiamentos. O filme foi caríssimo e pelo trailer já se percebeu que é um espetáculo de grande escala com batalhas épicas na China ancestral, resta saber se Caro teve coragem de explorar a questão da identidade: esta personagem é uma guerreira que finge ser um rapaz para lutar para salvar o pai...Será que a Disney desta vez reflete sobre o que é isso da condição feminina?!

Neste verão, a grande moda são os filmes portugueses. A NOS Audiovisuais está a lançá-los a um ritmo assustador e dia 23 estreia um dos títulos mais relevantes do ano, a primeira obra de longa-metragem de Gonçalo Waddington. Chama-se Patrick e é a história de um regresso de uma criança desaparecida. Anos mais tarde, Mário é agora Patrick, jovem de Paris cujo rapto em Portugal o atirou para os infernos das redes de pedofilia em França. Hugo Fernandes, Alba Baptista e Carla Maciel são os atores de um filme tocado por uma espantosa sobriedade. Deste lote de filmes nacionais, impossível também não destacar Zé Pedro Rock n' Roll, de Diogo Varela Silva, olhar próximo e íntimo sobre as memórias do músico mais amado em Portugal. Em setembro, está prevista a chegada de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho. Saramago visto pelo olhar a preto e branco de um cineasta em "missão" de adaptação de grandes obras literárias. Tem um trailer lindíssimo e haverá sessões no Centro Cultural de Belém no seu lançamento. Entretanto, nem todos acreditam que cinema português em força é bom para a estratégia comercial e a Big Picture, prefere atirar Irregular, de Diogo Morgado, mais para a frente, o mesmo se passando com Bem Bom, de Patrícia Sequeira, filme de grande potencial de bilheteira sobre a ascensão das Doce - a Cinemundo já o colocou em novembro.

De agosto, destaca-se ainda O Rei de Staten Island, de Judd Apatow, um dos maiores artesãos da atual comédia americana. Trata-se do filme que pode fazer de Pete Davidson uma nova estrela em Hollywood. O mês terá ainda o primeiro filme da Fox sob a nova alçada da Disney: Os Novos Mutantes, de Josh Boone, "spin-of" do universo X-Men. O filme estará na gaveta do estúdio há mais de um ano, sinal sempre preocupante.

No final do verão, Hollywood em grande escala começa a enviar filmes em maior número. Para já, confirma-se Um Lugar Silencioso 2, de John Krasinski, cuja estreia nos EUA foi mesmo interrompida à última da hora pela pandemia mas que já tem críticas de arromba, e The Conjuring 3: A Obra do Diabo, mais um filme de um "franchise" que não tem baixado a qualidade.

Numa outra ótica, importante não deixar escapar o novo de Cédric Klapisch, Tão Perto Tão Longe, com um casal cinematográfico de sonho, Ana Girardot e François Civil, nem Uma Réstia de Esperança, drama de William Nicholson, onde assistimos a uma amargo divórcio de Annette Bening com Bill Nighy.

Tudo isto, claro, se não houver mais cancelamentos e adiamentos. O vírus tem sido particularmente cruel com a indústria do cinema. Se Tenet, em agosto, não arrancar bem, vai ser difícil ou impossível o negócio da exibição fazer números dignos de registo.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG