Segunda volta no PSD: Rio e Montenegro à procura dos militantes perdidos

Os dois candidatos à liderança do PSD defrontam-se novamente no sábado, dia 18. Os apoiantes de Rui Rio e Luís Montenegro dizem que vão apostar todas as fichas na mobilização dos militantes, que podem dispersar nesta segunda volta. E ambos fazem contas aos votos que foram dados a Miguel Pinto Luz.

Se as eleições no PSD se ganhassem por convicção, haveria um empate técnico entre Rui Rio e Luís Montenegro na segunda volta das diretas. Apoiantes de um lado e do outro manifestam-se esperançados na vitória no próximo sábado, mas só um deles irá ganhar. Convergem na necessidade de tudo fazer para não deixar os militantes dispersarem da primeira para a segunda volta.

Curioso é o facto de que, ouvido o núcleo mais próximo de ambos, também existia a convicção de uma vitória à primeira volta nas duas candidaturas. Rui Rio foi o que saiu mais próximo de a conseguir, já que ficou apenas a 344 votos da meta. Mas houve surpresas que impediram que isso acontecesse.

"Tivemos algumas surpresas nalguns distritos", diz ao DN uma fonte da candidatura de Rui Rio. Surpresas "boas" em distritos como Santarém (em que Rio ganhou), Leiria e Viseu. "Nestes distritos esperávamos perder por muitos e isso não aconteceu", sublinha a mesma fonte. Mas também houve imprevistos noutras paragens que pareciam ser de ventos muito favoráveis, como Viana do Castelo e Vila Real, onde o recandidato à liderança esperava resultados esmagadores e não os teve.

Mas os seus 49,44% dos votos foram fruto de vitórias em 12 das 19 distritais do continente (Aveiro, Beja, Bragança, Europa, Évora, Faro, Guarda, Portalegre, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real) e também nos Açores.

"Estamos confiantes! Pensamos que não irá votar tanta gente, mas o nosso eleitorado será o mais mobilizado", diz a mesma fonte da candidatura de Rui Rio. A expectativa na segunda volta, garante, é que seja de 60% para Rio e de 40% para Montenegro. "A unidade faz-se em torno do mais forte do que do mais fraco que tem menos votos", disse Rui Rio no discurso de vitória. "Falta 0,56%, uma coisinha de nada."

E os votos que foram depositados em Miguel Pinto Luz, os 9,3%, a quem irão parar?

Rui Rio respondeu na noite das eleições internas: "Matematicamente bastava até alguns votantes de Miguel Pinto Luz não votarem para eu ganhar." Ou seja, há alguma esperança que sem o vice-presidente da Câmara de Cascais na corrida parte dos seus apoiantes acabem por não ir novamente às urnas e isso favorecer o presidente social-democrata. O vice-presidente da Câmara de Cascais sempre disse que não iria dar aos seus apoiantes nenhum sentido de voto.

A esperança na "mudança"

No sentido oposto está a candidatura de Luís Montenegro, que teve 41,26% dos votos. O seu braço direito, Hugo Soares, frisa ao DN que é provável que quem apostou "na mudança" e em Miguel Pinto Luz continue a querê-la e transfira o seu voto para o candidato alternativo a Rio. "Uma maioria de militantes votou pela mudança, era estranho se não continuassem a desejá-la", diz o ex-líder parlamentar social-democrata. Admite, no entanto, que entre os apoiantes de Pinto Luz algum decida votar no atual presidente. Mas adverte: "Depois do discurso que fez ontem também é provável que haja alguns dos seus apoiantes que já não queiram votar nele."

Hugo Soares admite que foi "uma desilusão" Luís Montenegro não ter vencido as diretas de sábado. Mas garante que nesta semana o candidato estará completamente focado na mobilização dos militantes. Não só dos mais de 31 mil que foram às urnas, como dos restantes abstencionistas num universo de 40 mil militantes que tinham as quotas em dia para votar. "Vamos fazer esse trabalho de mobilização e levar a mensagem às bases, de resto não há muito mais que seja possível fazer." E também ele se manifesta convicto da vitória de Montenegro no dia 18.

A mobilização nas distritais

Numa análise por distrito dos dados disponibilizados no site do PSD, Rio tem as suas maiores vitórias percentuais em Vila Real (63,9%), Viana do Castelo (61%) e Guarda (59,9%).

No entanto, em número de votos, a grande vitória de Rui Rio registou-se no Porto, a maior distrital do PSD (em número de militantes com quota válida para a atual eleição), onde conseguiu 3592 votos (59,6% do total no distrito), vencendo com 1456 votos de vantagem em relação a Luís Montenegro.

Já o antigo líder parlamentar social-democrata tem os seus melhores resultados percentuais em Leiria (58,6%, com uma vantagem de 276 votos para Rio), Lisboa Área Oeste (57,8%) e Castelo Branco (57,2%), mas é em Braga que conquista a vitória mais expressiva em votos.

Na terceira maior distrital do PSD (mas que na eleição de sábado foi a segunda em número de votantes), Montenegro consegue 2485 votos e uma vantagem para Rui Rio de 353 votos, ainda assim menor do que a que a candidatura antecipava na reta final da campanha.

Na Área Metropolitana de Lisboa - segunda maior estrutura em inscritos, mas em que no sábado votaram menos pessoas do que em Braga - a disputa foi renhida: a vitória pertenceu, como esperado, ao antigo líder da distrital Miguel Pinto Luz, com 37,7% dos votos, e o segundo lugar para Montenegro (33% e 1288 votos), mas com apenas 150 votos de vantagem em relação a Rui Rio, que ficou em terceiro na capital.

A outra distrital em que Rio ficou em terceiro foi Setúbal, onde Pinto Luz também venceu, mas a diferença de votos entre os candidatos foi da ordem das dezenas.

Rio ao ataque, Montenegro gregário

Na noite da primeira volta das diretas, o vencedor rejeitou o desafio que momentos antes Montenegro lhe fez para um debate televisivo. Preferiu exaltar a "vitória expressiva" que teve, que o levou a ficar a 0,56% da maioria. E dos agradecimentos aos que estiveram com ele na campanha disse valorizar tanto ou mais o apoio que sentiu dos portugueses que lhe pediram para não desistir. "O apoio na rua é absolutamente vital e deu-me muito ânimo para a decisão de me recandidatar."

Sobre os que nele votaram internamente garantiu: "Não há nenhum voto que não tenha sido por convicção, porque não negociei nenhum lugar." Com isto pretendeu dar a ideia de que o adversário, esse sim, andou a negociar lugares para ter votos. E tanto assim é que insistiu que os que antes o apoiaram e agora não o fazem é "por interesse próprio ou de amigos". Quis ainda marcar a diferença para Montenegro ao dizer que não é só quando se é eleito que se conta com os outros.

Rio voltou a reafirmar que as próximas autárquicas são uma prioridade, de "conseguir mais câmaras, mais juntas de freguesia, mais autarcas e vereadores"; e de manter uma oposição construtiva e abrir o PSD à sociedade.

Luís Montenegro jogou mais à defesa na noite de sábado e não perdeu tempo a piscar o olho aos que votaram em Miguel Pinto Luz, garantindo que se for eleito contará com ele "e com os seus apoiantes" para os desafios que terá pela frente.

"Quero ser um líder agregador", disse, prometendo que contará com pessoas das listas de Rui Rio e de Pinto Luz caso vença a segunda volta das diretas. A sua estratégia é de uma "oposição forte" para construir uma alternativa credível e mobilizadora em contraponto à "estratégia de subalternização" de Rui Rio em relação ao PS. E a ambição é a de vencer as próximas autárquicas e as legislativas.

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