Aconteceu em 1982 - A primeira greve geral em Portugal depois do 25 de Abril

Convocada pela CGTP, e com grande apoio do PCP de Álvaro Cunhal, a paralisação de 11 de fevereiro de 1982 teve uma adesão de 30% a 40% dos trabalhadores. No governo estava a Aliança Democrática, com Pinto Balsemão a primeiro-ministro.

Foi a primeira greve geral no Portugal democrático do pós-25 de Abril e aconteceu a 11 de fevereiro de 1982. "A greve não foi geral", foi a manchete do DN na edição do dia 12, em que o título era justificado pela adesão que se terá situado entre os 30% e os 40 %, de acordo com fontes qualificadas ouvidas pelo jornal. Enquanto os organizadores reclamavam um grande sucesso, o governo da Aliança Democrática, com Pinto Balsemão a primeiro-ministro, apresentava números de adesão ainda mais baixos. Em causa estavam os tetos salariais e um pacote laboral que estava a ser discutido.

O setor dos transportes foi o mais atingido pela paralisação. O DN escreveu que "comércio, bancos, serviços oficiais e escolas funcionaram normalmente." Informava que tinha havido incidentes no Rossio, com uma carga policial, e relatava outros incidentes no país: em Guimarães, um comissário da polícia foi atingido e no Porto houve comerciantes impedidos de abrir as suas lojas.

Nesta edição do DN, noticiava-se que Ramalho Eanes e Pinto Balsemão iriam visitar os Estados Unidos e dava-se conta da visita do Papa João Paulo II à Nigéria, onde teve uma "receção calorosa".

Na rubrica Palavras de Ontem, que existia na primeira página, esta edição destacava uma interrogação da escritora Maria Velho da Costa que tinha sido publicada no jornal A Capital: "Em Portugal não estamos a voltar às bipolarizações em que andamos desde o tempo do senhor D. Miguel?"

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