Três mortes, um novo vírus, uma trégua e um gasoduto português

SÁBADO

Adeus a Ana Luísa Amaral, mulher de "palavras e causas"

Numa entrevista ao DN em junho de 2021, pouco depois de ser distinguida com o Prémio Rainha Sofia de Literatura Ibero-Americana, Ana Luísa Amaral contava como só acreditou na notícia que lhe chegava pelo telefone quando recebeu uma segunda chamada "do El País a pedir-me um comentário". Um momento que a jornalista Maria João Martins recordou agora no obituário da poetisa, que morreu neste sábado, aos 66 anos, vítima de cancro. "Uma mulher de palavras e causas", com uma obra literária muito inspirada na temática de género, Ana Luísa Amaral foi recordada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como alguém que, "escapando à homogeneidade um pouco fictícia das gerações, não deixou de ser veementemente do seu tempo."

DOMINGO

Cessar-fogo na Faixa de Gaza. Até à próxima

Eram 23h30 (menos duas horas em Lisboa) quando o cessar-fogo entre Israel e a Jihad Islâmica entrou em vigor na Faixa de Gaza. A trégua veio pôr fim a três dias de confronto entre o grupo jihadista palestiniano e o exército israelita, após este ter lançado um "ataque preventivo", garantindo ter informações de que a Jihad Islâmica preparava ações contra Israel. Uma operação que resultou na morte de 46 palestinianos, entre eles 16 crianças, e 360 feridos. Os dois principais comandantes militares da Jihad Islâmica em Gaza estão entre as vítimas, com Israel, com as quintas eleições em quatro anos à porta, a destacar um sucesso. Mas para os 2,3 milhões de habitantes de Gaza, território minúsculo, de 10 km por 40 km, cujas entradas são controladas por Israel e Egito, a situação só piorou. E a escalada só não aconteceu porque o Hamas, que governa Gaza, ficou à margem das hostilidades, tal como fizera em 2019, noutra onda de ataques.

SEGUNDA

Travolta despede-se da "querida Olivia" em nome de todos

"Minha querida Olivia, tornaste todas as nossas vidas tão melhores. O teu impacto foi incrível. Adoro-te muito." Foi assim que John Travolta se despediu daquela que será sempre a Sandy de Grease (1978), filme no qual contracenou com o ator. Nascida no Reino Unido, mas criada na Austrália (cuja nacionalidade obteria), Olivia Newton-John perdeu a batalha contra o cancro da mama, que combatia há três décadas, tendo-se tornado uma voz ativa nas campanhas de prevenção da doença. A carreira começou na música, fazendo sucesso em 1971 com If Not for You, e mais tarde com Let Me Be There e Have You Never Been Mellow. Mas seria Physical, em 1981, o seu maior êxito musical. A amizade com Travolta, essa, manteve-se até ao fim. "Vemo-nos no fim da estrada e voltaremos a estar outra vez juntos", despediu-se o ator. E nós com ele. Adeus, Olivia.

TERÇA

Apareceu um novo vírus na China e o mundo estremeceu

No início de 2020, quando surgiram notícias de que aparecera um novo vírus na China, poucos no Ocidente prestaram atenção. Mas após mais de dois anos a lidar com o SARS-CoV-2, entre períodos de confinamento, cidades-fantasma e máscaras constantes, a notícia que agora surge de que encontraram mais um novo vírus na China não deixa de provocar um estremecimento no mundo. O Langya, vírus de origem animal detetado em 35 infeções em seres humanos, integra a família dos vírus Hendra e Nipah, conhecidos por serem raros mas com elevada taxa de letalidade. Até agora, não há registo de transmissão entre humanos. O infecciologista Jaime Nina explicou ao DN ser normal o aparecimento de novos vírus todos os anos. "Uns dão poucos casos, outros dão a volta ao mundo, como o SARS-CoV-2." Esperemos que este pertença à primeira categoria.

QUARTA

A despedida de Chalana, o herói do Euro 84

Em 1984, quando o pé esquerdo de Chalana levava a seleção portuguesa num caminho notável até às meias-finais, eu tinha três anos. Não me lembro, portanto, do momento alto da carreira daquele a quem chamavam o "pequeno genial". Mas Fernando Chalana não é nome que me fosse desconhecido. Tudo por, ainda criança, o ouvir repetir com admiração tanto por um avô do Benfica como por um pai do Sporting. O antigo futebolista morreu agora, aos 63 anos, e o sentimento de admiração voltou a ser o dominante pelo jogador, que, apesar do seu 1,65 m, foi um gigante tanto no Benfica como depois no Bordéus. Nascido no Barreiro, o homem do farto bigode, tão em voga na época, continuou ligado ao Benfica após terminar a carreira como jogador. Entre muitas homenagens, as Águias anunciaram que esta época não haverá camisola 10 no plantel da equipa principal.

QUINTA

Um gasoduto português e enterrar os mortos de Bucha

António Costa garantiu que "a Alemanha pode contar 100% com o empenho de Portugal", depois de o chanceler alemão, Olaf Scholz, ter apelado à construção de um gasoduto a ligar Portugal ao Centro da Europa, através de Espanha e França, para reduzir a dependência do gás russo - 43% na União Europeia no início da guerra. Num dia marcado pelo enterro de vários civis mortos em Bucha e cujos cadáveres não foram identificados, e enquanto Moscovo e Kiev continuavam a trocar acusações sobre ataques à central nuclear de Zaporíjia, fazendo temer um acidente nuclear de grande envergadura, o primeiro-ministro português sublinhou que até à construção do tal gasoduto o "Porto de Sines poderá ser utilizado como plataforma logística para acelerar a distribuição do gás natural liquefeito para a Europa".

SEXTA

Serra da Estrela há uma semana a arder: "Deve ser estudado"

Entre os distritos de Castelo Branco e da Guarda são mais de 16 mil hectares ardidos numa semana de fogo na serra da Estrela. O incêndio deflagrou na madrugada de dia 6 de agosto em Garrocho, no concelho da Covilhã. Nesta sexta-feira eram ainda mais de 1600 operacionais, apoiados por 467 viaturas e 12 meios aéreos, que se encontravam a combater as chamas. "Quando ele terminar, poderemos estudar, e merece ser estudada em pormenor, o que é que foi acontecendo ao longo da fita do tempo e que podia ter acontecido de uma forma diferente, ou não, para evitar que o incêndio ganhasse esta escala", afirmou o primeiro-ministro António Costa aos jornalistas. Meteorologia, ocupação do território e comportamento das pessoas são três fatores que explicam por que Portugal arde mais do que os outros países da UE.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG