Premium País latino-americano com mais refugiados recebe cinco mil venezuelanos por dia

O Equador foi obrigado a declarar situação de emergência pela entrada massiva de venezuelanos na última semana. A maioria dos que fogem da crise política e económica na Venezuela segue para outros países a sul. Até final de julho só quatro mil tinham pedido refúgio num país que acolhe 62 909 refugiados.

Entre janeiro e agosto, 60 309 migrantes e refugiados entraram na Europa após cruzar o Mediterrâneo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). No mesmo período, 547 mil venezuelanos, ou seja, quase dez vezes mais, entraram no Equador. Na última semana, a entrada ao ritmo de cinco mil por dia obrigou Quito a declarar o estado de emergência para as suas províncias mais a norte, de forma a garantir a atenção necessária aos migrantes.

De todos os que cruzaram a fronteira terrestre entre a Colômbia e o Equador, muitos dos quais após dias ou semanas a caminhar desde a fronteira venezuelana, só 20% ficam neste país. A grande maioria continua a viagem mais para sul, principalmente para o Peru ou o Chile.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?