Premium Afinal, para que serviu a austeridade?

"Penso sobre como poderíamos ter feito diferente." São palavras de Wolfgang Schäuble sobre as políticas de austeridade da altura da crise da zona euro, na sua entrevista de março ao Financial Times. Será estranho que cite aqui alguém como o antigo ministro alemão das Finanças? Não. Apesar de seguir fiel ao seu pensamento económico (curiosamente, em toda a entrevista, não refere Portugal...), é percetível nas suas palavras uma ténue abertura para, pelo menos, refletir sobre a austeridade irresponsável com que se respondeu à crise da zona euro. Até se podia fazer um paralelo com a atual oposição em Portugal, se não se desse o caso de esta não manifestar vontade mesmo nenhuma de refletir com lucidez sobre a questão e de o próprio Schäuble, em 2017, ter elogiado o governo e Portugal pelo que conseguimos. Apesar dos resultados, a direita considera não estar enganada quanto ao sucesso e à infalibilidade da sua austeridade. E continua, claro, a ter dúvidas apenas muito raramente. Um (entre os que abundam) exemplo claro disso é a recente crítica por parte da direita à redução do IVA da restauração. É clara a opção da direita pela receita fácil e austera do corte que enriquece o populismo, em vez da aposta no retorno económico das medidas como a referida.

O conceito de "bolha política" e do seu filtro é já tudo menos novo. No entanto, ganhou derivações que surgem como bolhas mais pequenas e fenómenos mais específicos. A oposição está centrada em instrumentalizar a bolha da polémica, bem menos transparente e inocente do que a ideológica e a do sabão. Dentro dela, quer alhear-nos do que verdadeiramente devia interessar neste momento, criando situações que só beneficiam verdadeiramente um candidato - o da abstenção. A oposição tem de sair do conforto da sua bolha de polémica e mostrar agora as suas opções para a Europa. Tem de tornar público porque é que entende a política do empobrecimento como uma virtude e explicar o seu apoio e o dos seus candidatos a quem, em 2016, na Europa, exigiu a aplicação de mais sanções para Portugal.

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