Premium Slot machines impulsionam receitas dos casinos para 238,5 milhões

As receitas do jogo dos casinos portugueses cresceram apenas 2,9% nos nove primeiros meses do ano, somando 238,5 milhões. A culpa é da concorrência do online e dos jogos sociais.

Os 11 casinos portugueses geraram receitas brutas de jogo de 238,5 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um crescimento modesto de 2,9% face ao mesmo período de 2017. O aumento foi sustentado pelas slot machines (máquinas automáticas), que garantiram proveitos de 196,4 milhões, mais 3,3%. Já os jogos bancados (roleta, póquer, bacará, entre outros) foram responsáveis por receitas de 41,1 milhões, uma subida de apenas 1%.

Os números divulgados ao DN/Dinheiro Vivo pela Associação Portuguesa de Casinos revelam que as salas portuguesas de jogo de fortuna e azar apresentam um crescimento moderado. E nem os meses de verão tiveram, desta vez, um efeito propulsor nas receitas. A concorrência do jogo online e dos jogos sociais, como a Raspadinha, têm travado um maior aumento dos proveitos do jogo em casinos. "O mercado não é elástico", reconhece fonte do setor.

Lisboa estagnado


O Grupo Estoril-Sol, líder do mercado e que explora as salas de jogo de Estoril, Lisboa e Póvoa de Varzim, gerou receitas com o jogo de 147,2 milhões de euros nos nove primeiros meses do ano, uma subida de apenas 1,9%, condicionada pelo Casino Lisboa, que apresentou proveitos brutos de 63,8 milhões, um aumento de 1,1%. Das salas de jogo de Stanley Ho em Portugal, a Póvoa de Varzim foi a que apresentou a melhor performance, com um aumento de 4,4% para um total de 34,9 milhões de euros. Já o Casino Estoril registou receitas de 48,4 milhões, mais 1,3%.

O Grupo Solverde, detido por Manuel Violas e responsável pelos casinos de Espinho, Chaves e zona de jogo do Algarve (integra as salas de Vilamoura, Praia da Rocha e Monte Gordo), registou um crescimento bem mais expressivo de 5,2% nas receitas, que ascenderam a 70,1 milhões de euros. Para este desempenho contribuíram essencialmente Espinho e Algarve, com destaque para Vilamoura.

O Casino Espinho obteve receitas de 37 milhões nos nove primeiros meses do ano, um aumento de 7%. Também o de Vilamoura cresceu em percentagem semelhante, mais concretamente 6,8%, totalizando 14,7 milhões. No agregado, a zona de jogo do Algarve foi responsável por 27,1 milhões, um aumento de 4,2%. Em contraponto, as receitas do casino de Chaves caíram 1,5% para 5,9 milhões.

Também o Casino Figueira, da Amorim Turismo, garantiu um crescimento acima do mercado, faturando 11,9 milhões com a atividade do jogo, mais 5,9%. A sala de Troia, controlada pelo fundo Aquarius, gerou três milhões de euros, um aumento nas receitas de 0,5%.

A maior quebra foi sentida pelo Casino da Madeira, do Grupo Pestana. Esta sala gerou receitas de 6,2 milhões de euros, menos 2,3% do que nos primeiros nove meses de 2017.

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