O vendedor de bondade

Há muito que não o vejo, estará doente, terá mudado de poiso?

Sempre sentado à entrada do metro dos Anjos, o corpo muito encolhido, o rosto voltado para baixo, na mão um copo do MacDonald's onde tilintavam meia dúzia de moedas. A pele escura, de um tom específico: castanho-sinti, à falta de melhor definição. O tronco balançava em contínuo, embalado por uma ladainha que devia vir de longe. Embora a postura o sugerisse não tinha qualquer deficiência física, vi-o levantar-se ao final do dia, arrumar as moedas no bolso e caminhar pela avenida tão escorreito quanto eu.

Dia após dia, ali sentado sem fazer nada, um inútil, um parasita, pensava eu até pensar melhor. Afinal o homem tinha uma função, e das mais nobres. Por meros 50 cêntimos (mais umas moedas negras) o homem vendia um pouco de altruísmo, um sorriso condescendente, um lampejo de virtude. Se até o vício se paga a peso de oiro, o que levaria aquele homem a desbaratar tanta bondade?

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1. A perseguição aos cristãos foi particularmente feroz durante a Revolução Cultural no tempo de Mao. Mas a situação está a mudar de modo rápido e surpreendente. Desde 1976, com a morte de Mao, as igrejas começaram a reabrir e há quem pense que a China poderá tornar-se mais rapidamente do que se julgava não só a primeira potência económica mundial mas também o país com maior número de cristãos. "Segundo os meus cálculos, a China está destinada a tornar-se muito rapidamente o maior país cristão do mundo", disse Fenggang Yang, professor na Universidade de Purdue (Indiana, Estados Unidos) e autor do livro Religion in China. Survival and Revival under Communist Rule (Religião na China. Sobrevivência e Renascimento sob o Regime Comunista). Isso "vai acontecer em menos de uma geração. Não há muitas pessoas preparadas para esta mudança assombrosa".