Premium "Os centros de detenção na Líbia são uma viagem só com bilhete de ida"

Uns tentaram, outros chegaram a embarcar a caminho da Europa, mas acabaram em centros de detenção na Líbia. O chefe de missão dos Médicos sem Fronteiras naquele país, Sam Turner, denuncia as condições de saúde e o perigo em que estão mais de três mil pessoas.

Estima-se que na Líbia estejam presos quase seis mil homens, mulheres e crianças nos centros de detenção de migrantes. "A Líbia não pode ser considerada um local seguro para efeitos de desembarque após salvamento ou intercetação no mar, tendo em conta o elevado risco de as pessoas de regresso correrem o risco de ser sujeitas a graves violações e a abusos dos direitos humanos, incluindo a detenção arbitrária prolongada em condições desumanas, a tortura e outros maus-tratos, homicídios, violações e outras formas de violência sexual, trabalho forçado, extorsão e exploração", lê-se no mais recente relatório das Nações Unidas sobre os migrantes e refugiados naquele país do norte de África. Os Médicos sem Fronteiras advogam a libertação de todos estes prisioneiros cujo "crime" foi tentar chegar à Europa. Até agora, 455 pessoas nessa situação conseguiram sair da Líbia.

Qual é a principal prioridade dos Médicos sem Fronteiras na Líbia?
De momento, é o impacto generalizado do conflito no mês passado em toda a população civil de Tripoli, incluindo as 60 mil pessoas que foram deslocadas das suas casas, mais de 400 mortas e mais de duas mil feridas. Estamos em estreito contacto com as autoridades civis líbias no que respeita à resposta de socorro e a toda a assistência que pudermos dar às famílias deslocadas. Mas na realidade a nossa prioridade em termos de necessidade premente continua a ser os refugiados e migrantes, em concreto aqueles que estão em centros de detenção. Neste momento há mais de três mil pessoas (homens, mulheres e crianças) em centros de detenção, perto do conflito. Ao longo do mês passado ficou claro que estas pessoas estão em situação especial de alto risco pelo facto de estarem presas e de serem migrantes e refugiadas. Houve centros de detenção atacados diretamente por grupos armados, tendo resultado na morte e no ferimento de detidos. Outros centros de detenção estão perto da linha de fogo e também vimos nesta semana um ataque aéreo que atingiu alvos a 80 metros do centro de detenção de Tajoura. Os estilhaços da explosão perfuraram o telhado da ala das mulheres e quase atingiram um bebé.

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