Aconteceu em 1977. A controvérsia do Concorde - A controvérsia do Concorde

Autorização de voos para Nova Iorque foi notícia de primeira página a 12 de maio de 1977

Para muitos o pináculo da tecnologia do século XX, para outros uma ameaça ambiental pelo ruído e poluição que causava, o avião supersónico de passageiros Concorde esteve envolto em controvérsia desde os primeiros dias.

Lançado comercialmente em 1976, o projeto franco-britânico - a "concórdia" entre a Air France e a BOAC (futura British Airways) levou ao seu nome - esteve inicialmente para ser comprado por 16 companhias aéreas, mas todas acabaram por cancelar as encomendas.

Apenas 20 aparelhos Concorde entraram assim em funcionamento, divididos entre as duas companhias que os desenvolveram.

À época, a maior crítica ambiental prendia-se com o estampido sónico que o aparelho produz no momento em que rompe a barreira do som. Algumas autoridades e muitos ambientalistas afirmavam que esse ruído, provocado sobre zonas intensamente povoadas, traria graves problemas às populações.

O movimento ganhou mesmo um nome, o Projeto Anti-Concorde, criado pelo professor e ativista britânico Richard Wiggs (morto em 2001 aos 72 anos).

A sua campanha contra o desenvolvimento de tecnologia supersónica para voos comerciais acabou por ter um impacto significativo na opinião pública e até nas políticas. Quando, em 1976, o Concorde fez o seu primeiro voo comercial, já estava em vigor há seis anos um diploma do Senado americano proibindo voos supersónicos comerciais em espaço aéreo dos EUA. Outros países, incluindo a República Federal da Alemanha, a Holanda, a Suécia ou a Noruega, também tinham imposto limitações, ou demonstrado reservas, a este tipo de atividades.

O Concorde viu assim a sua atividade muito limitada: em 1976, apenas pôde voar entre Londres e o Bahrein, Paris e Rio de Janeiro e Paris e Caracas.

Entretanto, a questão do estampido sónico estava a ser investigada por vários cientistas. Armados com estes novos conhecimentos, BOAC e Air France recorreram aos tribunais nos EUA para tentar abrir o lucrativo espaço americano aos seus aviões.

A 11 de maio de 1977, como o DN noticiou no dia seguinte, obtiveram uma vitória: o juiz federal Milton Pollack decidiu que o Concorde tinha todo o direito de aterrar em Nova Iorque.

A cidade ainda tentou ripostar, criando uma norma local banindo o avião. Mas esta acabou por ser revogada nove meses depois pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

Durante os anos que se seguiram, os voos entre Londres ou Paris e Nova Iorque tornaram-se mesmo imagem de marca do avião que permanece, ainda hoje - 16 anos depois do seu último voo -, o único aparelho de transporte de passageiros capaz de ligar a capital britânica e a Grande Maçã em três horas e 15 minutos.

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