PSI 20. Queda de 21 milhões nos lucros no primeiro semestre

As empresas cotadas no PSI 20 lucraram ligeiramente menos no primeiro semestre deste ano, seguindo a tendência já registada em 2018 e nos primeiros três meses de 2019.

A tendência mantém-se. O total de lucros das cotadas do índice PSI 20 continua a descer, tal como já aconteceu em 2018 e no primeiro trimestre deste ano. Só a subida de quase 150% do lucro da EDP Renováveis evitou que a queda dos lucros a nível global fosse maior. O maior peso nas contas veio da Galp Energia, que viu o seu lucro cair para metade nos primeiros seis meses do ano, devido a um pior desempenho do negócio de refinação e distribuição.

Os dados abrangem 15 das 18 cotadas que compõe o PSI 20. Três empresas ainda não divulgaram contas semestrais. A Sonae divulga resultados do primeiro semestre no dia 21 de agosto, a Mota-Engil, que já anunciou alguns dados financeiros, apresenta resultados a 29 de agosto e a Ibersol presta contas ao mercado no dia 5 de setembro.

As 15 empresas lucraram 1774 milhões de euros, menos 21 milhões do que na primeira metade de 2018, o correspondente a uma queda de 1,1%. Mas o tom ainda é positivo, já que, do total de empresas que reportaram resultados, nove viram os seus lucros crescer enquanto seis registaram uma queda nos resultados. A empresa que teve o maior lucro foi a EDP, apesar de ter registado um crescimento moderado, de 6,6% no resultado líquido, em termos homólogos, para os 405 milhões de euros.

O pior resultado coube à Sonae Capital, que anunciou um prejuízo de três milhões de euros, embora o valor corresponda a uma melhoria em relação às perdas de 11,5 milhões de euros que a empresa observou nos primeiros seis meses de 2018.

"Muito provavelmente [as cotadas do PSI 20] já deverão ter começado a refletir o impacto [do abrandamento do crescimento económico], mas ainda não é notório todo o impacto daí decorrente", disse João Queiroz, diretor de Negociação Eletrónica da corretora GoBulling. "A exposição aos mercados emergentes, que apresentam melhores taxas de crescimento, pode auxiliar a equilibrar os resultados", adiantou.

Entre os desafios externos que começam a pesar nas contas das empresas portuguesas estão o "abrandamento do comércio internacional, o processo do Brexit e os sinais de estagnação da zona euro onde as maiores economias apresentam menores ritmos de crescimento, o que se reflete na menor despesa das famílias - diminuição do consumo e aumento da poupança - e um inferior investimento das empresas". Isto "apesar das historicamente baixas taxas de juros e de um fortíssimo programa de emissão monetária pelo Banco Central Europeu".

Os sinais dados pelos investidores mostram que a expectativa é que os resultados das empresas se mantenham mais contidos face aos alcançados em 2018. "Do desempenho que se regista no inicio deste terceiro trimestre não se perspetiva que [os lucros das cotadas] superem os do segundo semestre do ano passado", segundo João Queiroz. "É mais notório um maior conservadorismo nas avaliações dos investidores que agora mantêm maiores níveis de liquidez nas carteiras e uma exposição mais criteriosa."

A economia portuguesa cresceu 1,8% no primeiro trimestre face aos últimos três meses de 2018. Mas as previsões apontam para uma possível desaceleração do crescimento económico para os próximos trimestres. Numa economia tão dependente do exterior como é o caso da portuguesa, os recentes indicadores em países como os EUA e a Alemanha provocam alguma cautela já que apontam para um risco de recessão.

Os bancos centrais a nível mundial têm sinalizado descidas nas taxas de juro como resposta à desaceleração do crescimento económico.

Pela positiva, José Correia, analista da corretora XTB, frisou que "a possível melhoria de rating da dívida portuguesa pode ser um fator preponderante para uma perspetiva de investimento estrangeiro, e a economia portuguesa tem apresentado sinais de consolidação".

A agência de notação financeira Moody's reafirmou o rating de Portugal na passada sexta-feira, em Baa3, mas abriu caminho a uma subida do rating no futuro. A Moody's está mais otimista quanto à capacidade de o país reduzir o peso da dívida na economia.

Maior cautela

As bolsas mundiais sofreram uma saída de fundos neste mês de agosto devido a receios dos investidores perante sinais de alerta da economia. Desde o início do ano, o PSI 20 soma ganhos de 2,5%, que compara com uma subida de 12% das bolsas a nível mundial. Desde o máximo deste ano, em finais de abril, o índice soma perdas de 10%.

No caso da bolsa portuguesa, o sentimento dos investidores é de que "deverá manter-se dependente da evolução da economia da zona euro e, sobretudo da Espanha, com o conjunto das empresas a adotar uma postura mais conservadora adaptando a sua capacidade produtiva à retração das encomendas provenientes do exterior".

Num cenário de baixas taxas de juro, a procura por dividendos poderá jogar a favor das empresas portuguesas cotadas em bolsa que planeiam distribuir lucros pelos acionistas.

Em 2018, apesar da descida dos lucros em cerca de cem milhões de euros, as empresas do PSI 20 distribuíram quase 70% dos lucros, num valor superior a 2,3 mil milhões de euros.

Exclusivos

Premium

Líderes europeus

As divisões da Europa 30 anos após o fim da Cortina de Ferro

Angela Merkel reuniu-se com Viktor Orbán, Emmanuel Macron com Vladimir Putin. Nos próximos dias, um e outro receberão Boris Johnson. E Matteo Salvini tenta assalto ao poder, enquanto alimenta a crise do navio da ONG Open Arms, com 107 migrantes a bordo, com a Espanha de Pedro Sánchez. No meio disto tudo prepara-se a cimeira do G7 em Biarritz. E assinala-se os 30 anos do princípio do fim da Cortina de Ferro.