De Vítor Pereira a Mourinho. Treinador luso é garantia de sucesso

Vítor Pereira sagrou-se nesta semana campeão na China, um dos muitos países rendidos à arte dos treinadores portugueses, que começaram a dar os primeiros sinais de qualidade nos anos de 1980. Já são 28 os países com a marca registada de 40 técnicos nacionais.

Vítor Pereira tornou-se na quarta-feira o primeiro treinador português sagrar-se campeão na China. Uma proeza significativa se tivermos em conta que o Shanghai SIPG nunca tinha conquistado o título, num campeonato que nos últimos anos tem registado enorme investimento por parte dos clubes em técnicos e grandes estrelas do futebol mundial.

A China é um dos 28 países espalhados pelo mundo que viram treinadores portugueses ganharem campeonatos, sendo o Egito aquele onde se regista a maior taxa de sucesso, com dez campeonatos conquistados por portugueses, com a maior fatia a pertencer a Manuel José, que ergueu o troféu por seis vezes, sempre pelo Al-Ahly, onde o técnico de 72 anos é um autêntico ídolo dos adeptos do popular clube do Cairo.

A rivalizar com Manuel José está José Mourinho, que também foi seis vezes campeão no estrangeiro mas em três países diferentes: três vezes em Inglaterra no comando do Chelsea, duas em Itália pelo Inter Milão e uma em Espanha ao serviço do Real Madrid. O atual treinador do Manchester United tem, no entanto, a vantagem de também ter sido duas vezes campeão em Portugal na sua passagem pelo FC Porto, algo que Manuel José nunca conseguiu apesar de ter treinado Sporting e Benfica. Uma referência ainda para Bernardino Pedroto, que contabiliza cinco títulos de campeão nacional em Angola, no Petro Atlético de Luanda e no ASA.

Os treinadores portugueses costumam dizer que o sucesso de Mourinho lhes abriu as portas do estrangeiro, algo que se explica com o início de um grande fluxo de exportação de técnicos a partir de 2004-05, quando aquele que é apelidado de Special One conquistou o seu primeiro título inglês com o Chelsea, que não festejava há 50 anos. O sucesso continuou, ao ponto de ser atualmente um dos quatro treinadores campeões em quatro países europeus diferentes, a par dos italianos Carlo Ancelotti e Giovanni Trapattoni e do austríaco Ernst Happel. Só o croata Tomislav Ivic ganhou em mais países (seis).

Os precursores do sucesso

sucessoA primeira vez que um técnico nacional alcançou o sucesso além-fronteiras foi no Maxaquene, clube moçambicano onde Eusébio começou a jogar futebol. Foi obra de Rui Caçador, que deixara os juniores do Belenenses para ajudar o clube de Maputo a completar o tricampeonato em Moçambique, conquistando os títulos de 1985 e 1986.

Não demorou muito até que surgissem mais ecos de sucessos lusitanos. Em 1988, José Castro, que tinha sido jogador do Belenenses e da Académica nos anos de 1960, recebeu uma proposta de trabalho do governo moçambicano... pensava que ia como engenheiro químico, mas enganou-se. Era para assumir o comando técnico do Desportivo de Maputo, com o qual se sagrou logo campeão.

Nesse mesmo ano, Fernando Cabrita, um dos quatro selecionadores de Portugal na fase final do Europeu de 1984, deu cartas em Marrocos. Era o primeiro estrangeiro a orientar o Raja Casablanca, clube que conduziu ao primeiro título de campeão marroquino. Cabrita entrou na história, pois foi o primeiro técnico a vencer o campeonato português a triunfar no estrangeiro. Depois dele também Artur Jorge, Jaime Pacheco, Jesualdo Ferreira, José Mourinho, André Villas-Boas e agora Vítor Pereira.

Quem também deixou outra marca importante foi Artur Jorge, pois foi o primeiro a tornar-se campeão num clube europeu (Paris Saint-Germain, em 1994-95) depois de ter tido sucesso em Portugal com o FC Porto.

28 países com marca portuguesa

Costuma dizer-se que "há um português em cada canto do mundo" e essa é uma ideia cada vez mais mais vincada no futebol quando se fala de treinadores. São no total 69 títulos festejados por técnicos lusitanos em 28 países diferentes, alguns dos quais insólitos, como Macau, Hong Kong, Malásia, Vietname, Líbia ou Maldivas, mas também na Costa Rica, Coreia do Sul, Chipre, Arábia Saudita, Israel, Tunísia e até México.

Contudo, são os feitos alcançados na Europa que têm mais impacto. Na Grécia, por exemplo, o Olympiacos tem procurado o sucesso via Portugal, tendo conquistado quatro títulos graças ao saber de Vítor Pereira, Paulo Bento, Marco Silva e Leonardo Jardim, embora este não tenha acabado a temporada, mudando-se para o Mónaco, onde festejou um título superiorizando-se ao milionário PSG. Em grande estilo continua Paulo Fonseca, que em 2016 trocou Braga pela Ucrânia, onde recolocou o Shakhtar na rota dos títulos. Em dois anos conquistou dois campeonatos e já vai a caminho do terceiro, pois lidera com oito pontos de vantagem sobre a concorrência.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG