Premium Exportações de carros duplicam e atingem melhor registo desde que abriu a Autoeuropa

Expedição de automóveis dispara 91%. Setor é o maior exportador. Exportações totais sobem 6,2%, importações 6,3%. Défice comercial piora.

As exportações de automóveis de passageiros praticamente duplicaram nos primeiros cinco meses deste ano (crescimento superior a 90%), naquele que é o melhor registo desde que a Autoeuropa começou a operar.

A fábrica de Palmela iniciou a produção em 1995 e em 1996 entrou em velocidade de cruzeiro. O salto monumental nas exportações deste ano reflete quase na íntegra o arranque da produção do novo modelo da Volkswagen, o T-Roc, confirmam fontes do setor.

De acordo com dados novos e o histórico do Instituto Nacional de Estatística (INE) ontem divulgados, as exportações totais de mercadorias mantiveram um crescimento homólogo acumulado (janeiro a maio de 2018 face a igual período de 2017) de 6,2%, indicam cálculos do Dinheiro Vivo. É igual ao ritmo dos primeiros quatro meses, mas é menos metade do ritmo registado há um ano (13,5%).

Sem o salto de 91% nas vendas de carros, as exportações tinham crescido metade, cerca de 3% nestes primeiros cinco meses do ano.

Portanto, segundo o INE, até maio, todas as empresas exportadoras sediadas em Portugal venderam ao exterior quase 24,4 mil milhões de euros em mercadorias, dos quais cerca de 1,6 mil milhões foram "automóveis para transporte de passageiros". Mais de metade do aumento anual da faturação exportadora veio do setor automóvel.

Com este crescimento histórico, os veículos automóveis confirmam o seu lugar como a principal exportação do país.

De acordo com a Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), estes resultados das estatísticas oficiais são totalmente consistentes com os dados do mercado. "Nos cinco primeiros meses de 2018, registou-se um crescimento de 86,2% no número de unidades fabricadas no país, correspondendo a 126 578 unidades."

Esta informação "confirma a importância que as exportações representam para o setor automóvel, já que 96,8% dos veículos fabricados em Portugal têm como destino o mercado externo, o que, sublinhe-se, contribui de forma significativa para a balança comercial portuguesa", diz a ACAP.

A maior fabricante é a Autoeuropa, que de janeiro a maio produziu mais de 94,6 mil veículos. A seguir vem a Peugeot Citroën com 23,8 mil, em terceiro está a Mitsubishi Fuso Truck Europe (três mil unidades) e em quarto aparece a Toyota Caetano (mil unidades).

Fonte oficial da ACAP diz que "a Europa continua a ser o mercado líder nas exportações dos veículos fabricados em território nacional - com 91,4%".
A Alemanha lidera, absorvendo 20,7% da produção nacional, França compra 14,2%, Espanha 12,1% e Itália 10,9%.

"Nas grandes regiões, o mercado asiático, liderado pela China (2,7%), mantém o segundo lugar nas exportações de automóveis fabricados em Portugal."

Défice comercial maior

Em todo o caso, os novos números do INE, embora as exportações de mercadorias tenham avançado 6,2%, as importações tiveram ligeiramente mais força (6,3%).

Esta dinâmica acabou por fazer que o défice comercial se agravasse em 7% face a igual período de 2017. Isto é, segundo cálculos do Dinheiro Vivo, Portugal importa agora mais 5,8 mil milhões de euros do que exporta. Há um ano, esse desequilíbrio estava nos 5,4 mil milhões.

As vendas de bens aos países da União Europeia subiram 9,4%, reforçando uma tendência que já não é recente, enquanto para fora da UE caíram 3,1% em termos nominais (inflação incluída).

No Programa de Estabilidade, de abril, o governo projetou um aumento real (descontando a inflação) das exportações totais (incluindo serviços) de 6,3% e igual ritmo para as importações globais. Em junho, o Banco de Portugal estimou 5,5% e 5,7%, respetivamente.

Segundo os cálculos do Dinheiro Vivo, Espanha continuou a ser, como sempre, o maior cliente das vendas nacionais, absorvendo mais de 25%.
O mercado vizinho aumentou 5,4% no período em análise. Para França, o segundo destino, as vendas tiveram um incremento de 9,9%. A Alemanha, o terceiro maior mercado, comprou mais 10,8% do que em janeiro-maio de 2017.

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