Exclusivo "Não está ainda enraizado em todos os profissionais das forças policiais que maltratar é crime"

Perito forense do Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU, há 16 anos a acompanhar o relator especial para Tortura nas suas missões internacionais, diz que falta ainda em Portugal a consciência do inadmissível dos maus-tratos de detidos e da importância do respeito pelos direitos humanos. Nas polícias como na população em geral - e que o caso Ihor Homeniuk é sintoma disso.

"A medicina legal trabalha sempre com o que de mais sórdido e negro há do ponto de vista humano. O suicídio, a violência, os abusos sexuais em menores, a violência doméstica, os abusos em idosos, etc., são situações muito dolorosas e problemáticas. Têm essa condicionante. Lidar com pessoas que trazem o cheiro da morte colado ao corpo e calados os gritos de raiva e desespero pelo sofrimento que lhes infligiram."

As palavras de Duarte Nuno Vieira ganham cor e rostos nos milhares de fotos de situações de tortura do seu arquivo. "Há coisas que não imaginam. O ponto a que chega a maldade. Já vi casos de pessoas torturadas sendo cozidas vivas. Colocadas em pequenos balcões pondo lenha por cima, como quem assa um leitão. E tenho dificuldade em dizer o que mais me impressionou, porque estes casos impressionam-me sempre, e espero que continuem a impressionar-me.

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