A entrada agora decrépita do bairro do Olho de Boi.
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Ainda haverá um raio de sol para o Olho de Boi?

Companhia Portuguesa de Pesca, fundada há cem anos, oferecia casa a alguns trabalhadores. Foi extinta em 1984, mas quem lá vivia continua a viver. Sem pagar renda, mas também sem garantias do que poderá vir a acontecer. Certo é que a degradação está a minar o complexo e ninguém parece querer saber.

As memórias de António, Afonso, Dulce, Olga e Alberto desfiam-se como um novelo de lã e não podiam contrastar mais com a realidade: onde antes assistiram (e participaram) a um corrupio de centenas de trabalhadores que davam assistência aos navios da Companhia Portuguesa de Pesca (CPP), atracados no cais de Olho de Boi, em Almada, defrontam-se agora com um cenário de abandono e destruição. Da maior empresa portuguesa de pesca longínqua resta apenas isso - memórias e muita saudade. Mas também resta um bairro social aos pés do Tejo, próximo dos pilares da Ponte 25 de Abril, onde ainda vivem cerca de 30 pessoas que não sabem o que o futuro lhes reserva.

Desde miúdo que Afonso Guimarães, 73 anos, tem uma espécie de cordão umbilical a ligá-lo ao Olho de Boi: nas férias escolares descia de Almada para o cais para acompanhar o pai trabalhador da CPP, hoje vive numa das 16 casas do bairro. Adorava esses dias quando, ainda criança, entrava nas oficinas e nos navios. Gostava tanto daquilo que aos 14 anos entrou na empresa para trabalhar como carpinteiro de moldes - juntava duas paixões, o desenho e a madeira. E ainda podia sair duas horas antes para ir estudar até ao 9.º ano na Emídio Navarro.

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