Premium Lockout laboral

Grande parte das greves hoje em Portugal são falsas. Quando aqueles que sofrem são trabalhadores e não patrões, quando beneficiam privilegiados à custa de desprotegidos, quando as verdadeiras razões são diferentes das declaradas, está em causa algo muito diferente. Parecem mais formas de lockout patronal do que greves.

A greve é uma antiga forma de luta, usada em situações extremas de conflito, com grande eficácia reivindicativa. Quase todas as conquistas históricas dos trabalhadores resultam dela, que sempre ocupou lugar central nas lutas sindicais. Hoje, porém, tais fenómenos são raros cá, e por razões óbvias: uma greve é sempre muito cara, para a empresa como para os trabalhadores. Por isso, ambos os lados preferem chegar a acordo, sem enveredar por choques que prejudicam todos.

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Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.

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A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.