Boavista 1-2 Sporting. Um triunfo aos trambolhões

Sporting conseguiu segunda vitória consecutiva e não deixa fugir o Braga na luta pelo pódio. Boavista esteve na frente. Autogolo de Edu Machado e penálti muito discutido (marcou Bruno Fernandes nos descontos) salvaram leões.

O Sporting andava perdido nas nuvens, mas foi em mais uma bola pelo ar que chegou ao triunfo. Edu Machado tentou proteger a posição e o árbitro (e o VAR) considerou que o defesa atingiu Raphinha de forma ilegal. Nos descontos, Bruno Fernandes consumou a reviravolta (1-2).

Os leões mantêm-se a dois pontos do pódio (o Braga venceu o dérbi do Minho) e ganham fôlego para encarar as últimas nove jornadas. Já o Boavista soma a segunda derrota consecutiva e mantém-se na zona de aflitos.

Com Bruno Fernandes bem trancado pelos médios do Boavista, o Sporting foi uma equipa com pouca profundidade, mas muito (demasiado?) jogo aéreo. Foi num desses lances que Luiz Phellype falhou redondamente. Literalmente a um palmo da baliza e sem Bracali pela frente, o brasileiro cabeceou ao poste. Não era fácil acertar ali...

Ou seja, sem Bas Dost, senhor dos ares (e do chão, e do golo), os leões foram empurrados pela pantera para as alas e consequente bateria de cruzamentos. Luiz Phellype não pode fazer de Dost. Nem no faz-de- conta.

Este cenário pouco animador podia ter-se aliviado se o ponta-de-lança tivesse marcado, se Coates tivesse acertado nas redes (e foi por tão pouco que não o conseguiu...), se Matthieu, se, se, se.

Mas o jogo já tinha começado inclinado para a equipa de Marcel Keizer. A atestar a falta de força aérea, um livre de Edu Machado foi desviado por um leão e ganho por Obiora. A bola sobrou para o inexplicavelmente solto Neris, que com um golpe de instinto meteu o pé à bola e endereçou-a para a baliza.

Esta tendência acentuou-se em mais dois lances. O principal foi Obiori, quando ao segundo poste podia ter cabeceado para o golo. Depois, Perdigão ameaçou Renan após uma cavalgada imparável de Sauer (bela estreia, grande jogo).

Na única jogada trabalhada no solo, os leões empataram. Raphinha trabalhou bem na direita e foi quase até à linha final. O brasileiro cruzou rente à baliza, Edu Machado, para impedir Acuña de finalizar, tocou inadvertidamente na bola e introduziu-a na própria baliza.

O jogo ainda nem tinha chegado aos 20 minutos, mas estava feita a grande fotografia dos 90 e tal minutos contabilizados pelo árbitro João Pinheiro. O Boavista a controlar em força o miolo, empurrando o Sporting para as margens. E a única saída eram os cruzamentos, que na segunda parte se sucederam a um ritmo elevado.

Um punhado de cabeceamentos falhados pelos leões e Bruno Fernandes vira-se ao contrário. Bola aérea e o médio, num pontapé de bicicleta, remata com alguma força e direção, mas não as suficientes para bater Bracali. Estirou-se bem e afastou o perigo.

O Boavista tinha praticamente desistido de atacar, após uns dez minutos em que ainda incomodou a defesa leonina. E o Sporting lançava a força aérea em busca do golo do triunfo.

A verdade é que este, e consequente reviravolta, chegou aos trambolhões. Uma bola pelo ar caiu na área do Boavista, Edu Machado tentou proteger a posição, usando os braços na luta territorial com Raphinha. O brasileiro acabou por cair e o árbitro foi rápido a assinalar penálti. Não pareceu claro, mas o VAR concordou com o juiz. E Bruno Fernandes, tão apagado para uma equipa que depende tanto dele (e de Bas Dost...), fechou o jogo com o golo vitorioso. Aos trambolhões.

Ficha de jogo

Jogo no Estádio do Bessa, no Porto.

Boavista - Sporting, 1-2.
Ao intervalo: 1-1.
Marcadores:
1-0, Neris, 03 minutos.
1-1, Edu Machado, 17 (própria baliza).
1-2, Bruno Fernandes, 90+3 (grande penalidade).

Boavista: Bracali, Edu Machado, Jubal, Neris, Talocha, Idriss, Perdigão (Matheus Índio, 70), Obiora, Gustavo Sauer, Bueno (André Claro, 90+3) e Falcone (Yusupha, 79).
(Suplentes: Assis Giovanaz, Raphael Silva, Fábio Espinho, Yusupha, Carraça, André Claro e Matheus Índio).
Treinador: Lito Vidigal.

Sporting: Renan Ribeiro, Ristovski, Coates, Mathieu, Borja (Diaby, 78), Gudelj, Wendel (Doumbia, 78), Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Luíz Phellype.
(Suplentes: Salin, Tiago Ilori, André Ponto, Diaby, Francisco Geraldes, Jovane Cabral e Doumbia).
Treinador: Marcel Keizer.

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Falcone (32), Gudelj (33), Bracali (71), Bueno (86) e Edu Machado (90+1).

Assistência: 7628 espetadores.

Figura

Gustavo Sauer tem potência, controlo de bola, visão, poder de choque. É um médio que ocupa infatigavelmente os 50 metros entre as áreas. A defender, nunca dá o lado interior, o que muito convinha ao Sporting. A atacar, luta como uma pantera e produz como um artista. A jogada na primeira parte em que galgou meia centena de metros, deixando pelo caminho dois ou três leões antes de endossar a Perdigão (o remate saiu forte, mas Renan estava bem colocado), define um jogador. Este foi, aliás, um jogo de esquerdinos. Raphinha foi o único a pousar a bola e a criar perigo por causa disso; Acuña foi o melhor dos verde e brancos, tentando sempre procurar a inteligência de Bruno Fernandes, algo desaparecido do jogo.

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