Tavares Moreira, o homem que ajudou a modernizar o sistema financeiro

O antigo governador do Banco de Portugal morreu na segunda-feira após doença prolongada. Marcelo destaca a sua "discreta afabilidade de trato".

Foi governador do Banco de Portugal, banqueiro e secretário de Estado de governos PSD. José Alberto Tavares Moreira, 75 anos, morreu na segunda-feira, no Porto, na sequência de doença prolongada, anunciou a família.

Natural da Póvoa do Varzim, Tavares Moreira era licenciado em Economia e Direito e fez a sua carreira predominantemente no setor da banca. Atualmente, era membro do Conselho Consultivo do Banco de Portugal.

Foi presidente da Caixa Geral de Depósitos, entre 1979 e 1981. Mais recentemente, exerceu funções como presidente do conselho de administração do banco angolano BAI Europa, mas deixou o cargo no início deste ano.

Foi governador do Banco de Portugal entre 1986 e 1992, cargo que assumiu depois de ter sido secretário de Estado adjunto do ministro das Finanças e do Tesouro, do governo de Cavaco Silva.

Já antes, entre 1980 e 1981, tinha exercido funções como secretário de Estado do Tesouro, no Governo de Sá Carneiro. Foi ainda eleito deputado pelo PSD, entre 2002 e 2005.

Na banca, Tavares Moreira viria a ser alvo de um processo de contraordenação relativo ao tempo em que foi presidente do banco de investimento do grupo Caixa de Crédito Agrícola Mútuo - que também presidiu. O Banco de Portugal, liderado pelo socialista Vítor Constâncio, acabou por lhe aplicar uma multa de 180 mil euros pela alegada ocultação de prejuízos e manipulação de contas, entre 2000 e 2001. O banqueiro ficou ainda inibido de exercer funções na banca durante sete anos. O processo na justiça acabou por prescrever.

"O país deve-lhe muito"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou as suas "mais sentidas condolências" à família de Tavares Moreira. "Em todos os cargos que exerceu, Tavares Moreira deixou a marca da sua competência e do seu rigor e, bem assim, da sua discreta afabilidade de trato, hoje recordada por todos quantos o conheceram", referiu uma nota publicada na página da Presidência da República na tarde desta terça-feira (9 de junho).

Carlos Tavares, presidente do Banco Montepio, destacou o homem "bom e um grande profissional que muito contribuiu para a modernização e desenvolvimento do nosso sistema financeiro". "O país deve-lhe muito e pessoalmente estou-lhe grato pela sua obra e pelo muito que com ele pude aprender", disse o banqueiro ao DN/Dinheiro Vivo.

"O seu mandato como governador do Banco de Portugal fica indelevelmente marcado pelo reforço da capacidade, da autonomia e da independência do banco central e pela grande reforma da política monetária e cambial", disse Carlos Tavares. "Tive o gosto e a honra de participar, enquanto secretário de Estado do Tesouro na concretização dessa reforma, no que foi um notável exercício de cooperação entre as duas instituições, com total respeito pela autonomia e independência do Banco de Portugal", lembrou.

Também o Banco de Portugal emitiu uma nota de pesar. "O Dr. José Alberto Tavares Moreira foi Governador do Banco de Portugal entre 1986 e 1992 e era, atualmente, membro do respetivo Conselho Consultivo", recorda o Banco de Portugal.

"Neste momento de perda e de consternação, o governador e os membros do conselho de administração do Banco de Portugal endereçam à família do Dr. José Alberto Tavares Moreira o seu mais profundo pesar", acrescentou.

Num comunicado, o PSD apontou ter recebido a notícia do falecimento de Tavares Moreira "com grande consternação".

António Tomás Correia, antigo líder da Associação Mutualista Montepio Geral, recordou "a sua capacidade funcional de concretizar desafios". "Tinha um grande apreço por ele", disse, lamentando "algumas situações injustas" por que Tavares Moreira passou.

O velório decorreu nesta terça-feira na Igreja da Misericórdia da Póvoa do Varzim e o funeral realiza-se nesta quarta-feira, às 11.00.

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