Portugal garante já em janeiro 25% do financiamento de 2019

Tesouro encaixou quatro mil milhões de euros na primeira emissão de dívida do ano. Procura ficou acima de 20 mil milhões.

O Tesouro não perdeu tempo para arrancar com o plano de financiamento de 2019. Num ano que os analistas dizem estar recheado de riscos, o Estado aproveitou o momento positivo no mercado para fazer uma grande emissão de dívida. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou, com o apoio de um sindicato bancário, quatro mil milhões de euros numa nova obrigação a dez anos. O juro ficou abaixo de 2%.

De uma assentada, e ainda no início de janeiro, o Tesouro já garantiu cerca de 25% do financiamento de longo e médio prazo previsto para a totalidade do ano. A agência liderada por Cristina Casalinho tinha indicado, na semana passada, que previa ir ao mercado buscar 15,8 mil milhões de euros em dívida de médio e longo prazo. E, tal como nos cinco anos anteriores, aproveitou o mês de janeiro para dar um início forte ao plano de financiamento anual.

O IGCP tirou partido dos juros ainda em níveis historicamente baixos e antecipou-se a eventuais problemas que voltem a assustar os investidores e levar a uma subida das taxas, como o Brexit ou o menor apoio do Banco Central Europeu, por exemplo. O IGCP explica, num comunicado, que decidiu avançar para esta operação "após as condições favoráveis do mercado"

Do lado dos investidores, a resposta foi positiva, num dia em que também Itália esteve no mercado para encontrar financiamento. Na emissão portuguesa, a procura foi de 24 mil milhões de euros e veio de mais de 300 entidades. "A transação beneficiou de uma forte procura, especialmente de investidores do Reino Unido, França, Itália e Portugal", revelou o IGCP. Os investidores estrangeiros absorveram 85% da emissão.

Já em relação ao tipo de investidor, a agência liderada por Cristina Casalinho salienta que houve uma diversificação entre gestores de ativos, bancos e seguradoras. Com o rating acima do nível lixo, Portugal consegue atrair investidores mais conservadores.

"Em geral, a procura foi muito boa e tivemos um bom desempenho no mercado, portanto a transação foi bem-sucedida", defende Jens Peter Sorensen, analista do Danske Markets, ao Dinheiro Vivo. Também Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, destaca a procura da operação. Defende, numa nota enviada às redações, que "Portugal mais uma vez consegue emitir dívida com uma taxa abaixo do custo médio da sua atual dívida, o que tem vindo a permitir baixar o seu custo médio de endividamento".

No ano passado, o Tesouro teve o custo mais baixo de sempre para se financiar. Em média a nova dívida custou 1,8%. Na emissão desta quarta-feira o juro ficou em 1,95%. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo IGCP, relativos ainda a 2017, o custo médio de toda a dívida do Estado era de 3%.

Contrariamente aos leilões regulares de dívida, nas emissões sindicadas existe um conjunto de bancos a assegurar a concretização da operação. Nesta operação de financiamento, o Estado contratou o BBVA, BNP Paribas, Citi, Credit Agricole, Morgan Stanley e o Novo Banco para apoiarem a operação.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG