Exclusivo Aconteceu em 1932 - Peditório pelos estropiados da Flandres

Faltam escassos meses para o partido de Hitler ganhar as eleições na Alemanha, mas a primeira página do DN de há 87 anos dedica-se à comemoração de uma batalha da Primeira Guerra Mundial, a de La Lys, em que o Corpo Expedicionário Português fora dizimado 14 anos antes. Fala de mortos e feridos e também das "senhoras piedosas" que foram para a frente cuidar dos feridos e fazem peditórios para os sobreviventes "miseráveis". E da quotização obrigatória de salários de operários para "ajudar os desempregados".

"Pelos mortos da Guerra/ Pelos nossos irmãos, que neste dia/ Ensoparam com sangue a terra fria, / Pois só nos ama e aquece a nossa terra/ e olharam e não viram (que tristeza!)/ A seu lado ninguém, nenhum dos seus/ e não ouviram a palavra "adeus" (...)/ Mas, heróis na ventura e na desgraça, / Levantaram a todas sobranceira, / A bandeira da nossa preciosa raça (...)."

O poema está do lado direito da página, assinado por Acácio de Paiva, jornalista, poeta e dramaturgo, além de formado em Farmácia; o título é o da manchete dramática - "Silêncio pelos nossos soldados mortos!" - que encima, ao centro, uma imagem a preto e branco, "Água forte inédita do mestre Sousa Lopes", representando "um canhão português inutilisado (sic) pelas tropas, na retirada de 9 de abril [de 1918]".

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